O Peso das Ideias e a Dor do Hiperfoco: Um Relato Poético
Um mergulho na relação entre a mente autista, a hipermobilidade física e o nascimento de uma ideia maravilhosa através da dor.

O Peso das Ideias e a Graça do Amanhã
Estes últimos seis dias foram uma batalha entre uma ideia maravilhosa e uma dor infernal. E isso quase comprometeu minha entrega de hoje para você, caro leitor. Mas cá estou, graças à indesejável resistência aos benzodiazepínicos, que já não me derrubam mais em horas de sono involuntário.
Para quem me lê, o que se segue agora talvez pareça apenas um texto, mas estas palavras foram ditadas no escuro, de olhos fechados, enquanto eu tentava negociar com uma enxaqueca que decidiu cobrar o preço do meu entusiasmo. Ditei para a IA, cerca de três horas atrás, o que havia compreendido ser o post de hoje: uma inversão da nossa rotina. Desta vez, o texto precisa vir primeiro, pelo que tem a comunicar e pelo que é: precursor de uma releitura catártica de um poema escrito aos vinte anos, que fala de amor, mas não do tema de nossas recentes incursões amorosas. Foi escrito para uma de minhas irmãs quando moramos juntas, em meus exatos vinte anos de idade.
Hoje, o poema embalou o choro que trouxe alívio ao meu corpo paradoxal: uma máquina hipermóvel que, para conseguir se manter em pé sob os desafios cognitivos do autismo e as tensões da vida, acaba se enrijecendo. O trapézio vira ferro, a cervical vira pedra, os discos intervertebrais inflamam. E mesmo quando o corpo faz exigências e chora de desespero e dor, a mente comemora. O hiperfoco é um tipo de amor devoto que ignora o limite da carne para ver a obra nascer.
E a obra que está nascendo pode fazer nascer asas nesses trapézios castigados, como se uma horda de seres trevosos tivesse pousado sobre mim para me impedir. Mas eu tenho a palavra para transpor abismos. E diz alguma lenda antiga que pessoas com pintas do lado da boca não falam: elas decretam. Acreditemos! É necessário para suportar o peso do mundo nas costas até daqui a pouco. Quando o relógio bater meia-noite, Cinderela para sempre!
E assim, nesse espírito de quem se agarra a sonhos e deuses desacreditados, faço do poema de hoje o testemunho dessa resistência. É dedicado a você, leitor, mas também à Oryanna que aguentou o peso do mundo nas costas hoje, para que a Oryanna de amanhã possa acordar relaxada, com o projeto pronto e a alma leve.
Fecho este ciclo com um lembrete de que, apesar da dor, a existência é uma celebração contínua:
Comemoração
Hoje não é o seu dia, pois todos os dias são seus.
Se no fundo do seu ser tão imenso você chora,
saiba que meu coração, muito alegre, comemora,
pois você, como os dias, é uma graça vinda de Deus.


