Oryanna Borges

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Crônicas

O Monstro em Mim: O Fosso entre o Fato e a Sensação na Comunicação Autista

Aos 47 anos, descobri que o "monstro" da grosseria era apenas um descompasso técnico. Uma análise sobre o tone policing, o machismo estrutural e como uso a IA para hackear a comunicação neurotípica.

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Oryanna Borges
abr 07, 2026
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Expressão versus Comunicação

Quantas vezes você já se questionou se a pessoa que se identifica como autista à sua frente é, de fato, autista? Afinal, ela fala tão bem, se expressa normalmente! Mas, caro leitor, expressão e comunicação são duas coisas distintas.

Arte, por exemplo, é uma expressão que independe do entendimento do outro para existir. Já na comunicação, a expressão precisa ser essa via de mão dupla que comunica e se abre para a recepção da expressão do outro. Interagir dentro de parâmetros de normalidade ou discursar com evidente riqueza vocabular não configuram comunicação. Vide o jovem que fez sua redação em vernáculo arcaico e foi reprovado com um portentoso zero por não comunicar.

A Mulher Autista e o Ego da Sociedade Patriacal

A grande dificuldade do autista verbal e de inteligência preservada — e enfatizo ainda mais a mulher autista de inteligência preservada — é comunicar-se em um mundo no qual a sua forma de expressar-se pauta-se em fatos concretos, e o mundo se organiza por meio de regras nunca redigidas de socialização que visam preservar o ego da humanidade.

Não se iluda, autistas têm ego. E é um ego profundamente ferido. Especialmente no caso das mulheres, das quais se espera empatia, afabilidade e humildade patente. Uma mulher autista, contudo, é uma mulher fora dos moldes, cuja profunda empatia não opera na superficialidade do trato social, onde o mascaramento e o automonitoramento consciente constante não cedem espaço.

Uma mulher autista é direta e questionadora demais para ser afável, e racional e prática demais para ser humilde. Esta é, para os parâmetros sociais, uma mulher soberba, grosseira, ácida, fria — e por aí seguem os adjetivos.

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