Menos ruído, mais abismo: uma mudança necessária no ritmo
Por que reduzir a frequência de postagens é o único caminho para aprofundar o trabalho (e preservar o corpo)

Queridos leitores,
Esta Newsletter já passa de um ano de existência. Até aqui, mantive um ritmo quase industrial de postagens por semana . Para quem lê, parece um fluxo natural. Para quem cria, a postagem é apenas a ponta do iceberg.
Até agora, muitas das análises profundas que compartilhei aqui eram frutos de reflexões que eu já vinha maturando há algum tempo, especialmente desde o meu diagnóstico em 2023. Mas o Mistifório está mudando de fase. Estou entrando em processos criativos completamente novos, inéditos e viscerais. E o artista não trabalha a toque de caixa.
Por isso, tomei uma decisão estratégica e vital: a partir de agora, a newsletter terá duas postagens fixas por semana. Quintas e Domingos.
Uma será dedicada aos assinantes pagos e a outra aos assinantes gratuitos. É uma divisão justa, limpa e que me permite focar na qualidade absoluta de cada linha, em vez de me soterrar na quantidade.
O Substack é meu espaço de liberdade
Escrever é a minha forma de regulação psíquica — o texto desta semana sobre o colapso do esgoto é a prova viva disso. Eu jamais deixarei de escrever e nunca abandonarei este espaço. Inclusive, como sou uma alma livre e a plataforma é minha, isso não me impede de aparecer por aqui em dias aleatórios da semana com textos extras, sejam pagos ou gratuitos, sempre que a urgência da escrita cobrar seu preço.
Mas o meu compromisso fixo passa a ser de dois textos semanais.
O preço do corpo e os novos horizontes
Essa redução não significa menos trabalho; significa organizar a energia para onde ela é mais necessária agora. Meu corpo tem cobrado um preço muito alto, com dores difíceis de controlar, e o desgaste físico de manter essa engrenagem rodando na máxima voltagem se tornou insustentável.
Além disso, preciso de tempo e espaço mental para me dedicar a projetos que caminham paralelamente em termos psíquicos e materiais:
O Projeto Audiovisual: Um trabalho paralelo em formato audiovisual que tem exigido muito de mim, mas que carrega a promessa de trazer sustento material no curto prazo — o que, ironicamente, é o que me permitirá continuar produzindo arte de forma independente aqui.
Senhora dos Opostos: A tão necessária continuidade de Perséfone em Hades.
Helena Queria o Chapéu: Retomar as ilustrações e a escrita do livro juvenil (baseado no roteiro do longa, que mudou de dimensão e se tornou uma história infinitamente mais complexa e interessante). Parei no quinto capítulo e preciso finalizá-lo.
Scarlet Moon: O desenvolvimento de um universo que pulsa e pede passagem.
Um pedido encarecido
Este espaço é o meu trabalho. A escrita independente só sobrevive se houver uma base sólida que entenda que apoiar um artista é financiar o tempo que ele gasta pensando, sentindo e errando, e não apenas o produto final que chega à tela.
Peço a compreensão de todos vocês nessa transição de ritmo. E, se você tem condições e enxerga valor utilitário e artístico no que faço aqui, peço encarecidamente que considere se tornar um assinante pago. É o seu apoio financeiro que mantém o Mistifório vivo e me dá a estrutura necessária para continuar cavando o abismo e trazendo o que encontro lá em cima.
Nos vemos nos dias de sempre, com a densidade de sempre. Só que com mais fôlego.
Com carinho e crueza, Oryanna Borges


