Heroísmo: O Epílogo de Perséfone em Hades
Conheça 'Heroísmo', o poema de encerramento da obra 'Perséfone em Hades' . Uma metáfora visceral sobre resiliência, amor-próprio e a armadura invisível forjada no submundo do inconsciente.

Heroísmo
Armadura de liga leve
Resistente à quebra,
ao ar e ao tempo.
Via de regra pode ser
reduzida a grampo, ou,
conforme necessidade,
alfinete, que ora une
e ora finca, e goteja.
É articulada sobre malha
firme, não vinca dobras
resiste a fogo e puimento.
Veste como seda e pode
ser lavada em pranto,
que não encolhe.
E se cai por terra, toda
mancha pode ser quarada
sob os olhos certos,
que logo branqueja.
Tecnologia de alto
rendimento e múltipla
função. Serve de abrigo,
é escudo, cajado e ferrão.
Oferece conforto,
modela,
disfarça imperfeições.
No submundo devastado
protege de todos os vilões.
Peça única. Artesania.
Quiçá obra de Deus pagão.
Onde havia de estar,
sobre o coração, o nome
do autor, sente-se em baixo
relevo a palavra Amor.
Mas pode ser só fantasia
a proteger a identidade.


