Gola: Um Canto de Passagem, Ruína e Fogo Santo
Ouve meu canto: peixe sonoro, onda, guelra." Explore o poema "Gola" obra densa sobre a dor transformada em estética e a voz como instrumento de liberdade.

Gola
Nix ouve meu canto
banhado de lua mansa
curtido em fogo santo
Ouve meu canto imune
à esperança, quebranto, sorte.
Canto que brune
esse enredo lazarento
clamando a morte
ou o esquecimento.
Ouve: é livre ainda que o crive de rima e floreio é esteio, me escora na ruína; me escurece quando a luz do dia alucina. É ainda espora nos flancos de uma existência que me rola pelas escarpas e só me retém aos trancos sem considerar que sou tenra. Ouve meu canto: peixe sonoro, onda, guelra a apaziguar o rio. Salva o meu canto, feixe de louro a celebrar a terra e o necessário estio. Ouve-o banhado em fogo santo, cortado a laser, fervido em sangue, crestado em mágoa e expelido em geiser Meu canto que é faca ácido, seta, e risca meu ponto: andarilha, filósofa esteta; meu canto que tece, desfia, rendilha e prova: Poeta Meu canto é passagem


