A Anatomia Alquímica do Sal: Entre a Ilusão Limerente e a Geometria do Saber
Uma investigação autoetnográfica sobre o custo cognitivo e a cristalização do saber na mente autista.

Da calcinação das Aparências
Este ensaio propõe um itinerário crítico e autoetnográfico que investiga os limiares entre o colapso afetivo e a fundação da soberania mental. A partir de uma perspectiva poético-literária e neurodivergente, analisamos a ação do fogo alquímico de calcinação materializado nos poemas Engano e Veredicto, identificando o severo custo cognitivo desse processo como o motor de uma autêntica autocriação. A partir da queima das aparências, o texto examina como a dissolução das ilusões abre espaço para a cristalização alquímica — um princípio de estabilidade e fixação da experiência que dialoga, por via do contraste, com o conceito de cristalização formulado por Dorothy Tennov para explicar as idealizações do amor limerente. Por fim, estabelece-se a importância crucial dessa analogia para a mente neurodivergente, demonstrando como a recusa ao brilho efêmero das projeções externas permite a transformação do sofrimento bruto em uma geometria insolúvel do saber, garantindo ancoragem psíquica e uma navegabilidade social mais estável no mundo real.



