<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Oryanna Borges: Poesia para ouvir]]></title><description><![CDATA[Ouça quando quiser ]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/s/poesia-para-ouvir</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!s4mi!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F44503f51-4e8b-4aea-aadb-33b97fb8ff57_256x256.png</url><title>Oryanna Borges: Poesia para ouvir</title><link>https://www.oryannaborges.com/s/poesia-para-ouvir</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 21 May 2026 06:20:47 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.oryannaborges.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Oryanna Borges]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[oryannaborges@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[oryannaborges@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Oryanna Borges]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Oryanna Borges]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[oryannaborges@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[oryannaborges@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Oryanna Borges]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Ouvintes: Poema e Análise sobre Autismo, Limerência e Mente Estendida]]></title><description><![CDATA[Uma explora&#231;&#227;o profunda sobre como o hiperfoco afetivo e a limer&#234;ncia funcionam como ferramentas de autorregula&#231;&#227;o e constru&#231;&#227;o da identidade na mente autista.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/ouvintes-poema-e-analise-sobre-autismo</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/ouvintes-poema-e-analise-sobre-autismo</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Mon, 19 Jan 2026 22:03:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!q3fx!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7dd238a9-81e2-43ec-89ae-686f847afcc5_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7dd238a9-81e2-43ec-89ae-686f847afcc5_1024x1024.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Limerencia e Mundo secretos: poema Ouvintes&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7dd238a9-81e2-43ec-89ae-686f847afcc5_1024x1024.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><p></p><p></p><p></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Ouvintes</strong>

Que meus ouvintes pensem o que quiserem.
&#201; o que trago na alma, que importa 
&#201; minha esperan&#231;a que ningu&#233;m suporta.
S&#227;o meus sentimentos puros que ignoram.

O que vejo nos teus olhos &#233; sublime
As emo&#231;&#245;es que despertam s&#227;o profundas 
E n&#227;o &#233; da maneira como me inunda
Que o meu tosco vocabul&#225;rio exprime 

Nenhuma palavra tem a riqueza 
Capaz de descrever meu &#234;xtase 
Meu fren&#233;tico estado de hipnose
Nenhuma palavra tem tamanha beleza

O que importa se a realidade me contradiz? 
Realidade pode ser s&#243; um ponto de vista 
Embora em bruta realidade o mundo consista
Preciso de sonho e loucura para ser feliz.

E voc&#234; tem tudo isso apurando na alma 
Vejo nos seus olhos a do&#231;ura que preciso 
O amor inerte no seu cora&#231;&#227;o, confuso 
E imensa for&#231;a sobre a aparente  calma 

Meu reconhecimento instintivo vai al&#233;m:
Eu vejo sua m&#227;o identificada a saudade 
E em complexos emo&#231;&#245;es meu olhar se perde 
As mesmas que meu cora&#231;&#227;o cont&#233;m. 

Estupefacta vejo at&#233; seus sonhos
Oscilantes, sem definidas formas 
A mesma ingenuidade que me toma 
Quando no sonho me embrenho

Eu vejo minha alma na sua 
Meu fardo alivia nessa constata&#231;&#227;o 
No seu olhar conhe&#231;o minha imensid&#227;o 
No seu olhar me sinto minha, me sinto nua.

</pre></div><p></p><p><strong>O Olhar como Territ&#243;rio: A Limer&#234;ncia como Arquitetura de Sobreviv&#234;ncia e Extens&#227;o Mental</strong></p><p>Apesar de algumas de minhas a&#231;&#245;es parecerem premeditadas, comumente opero em uma aba da mem&#243;ria nebulosa ou em algum esquema de intui&#231;&#227;o que ainda carece de uma explica&#231;&#227;o neurol&#243;gica plaus&#237;vel. Ao analisar o poema &#8220;Defesa&#8221;, presumi que ele fosse oriundo do recha&#231;o de meus ouvintes em rela&#231;&#227;o ao objeto limerente; contudo, n&#227;o sabia que, em minha busca pelo pr&#243;ximo poema, encontraria justamente &#8220;Ouvintes&#8221;. Este novo achado faz mais do que confirmar minha hip&#243;tese sobre o contexto de escrita: ele demonstra a constru&#231;&#227;o de um territ&#243;rio ps&#237;quico que, mais tarde, se consolidaria em mundos secretos, vibrantes e coloridos, habitados por personagens ficcionais como Scarlet Moon e Helena (da obra <em>Helena queria o chap&#233;u</em>).</p><p>O poema transcende o registro de um afeto adolescente; &#233; o mapeamento de um territ&#243;rio ps&#237;quico estabelecido em meio ao caos de uma mente neurodivergente em busca de si mesma. O &#8220;outro&#8221; &#8212; aqui configurado como um objeto limerente &#8212; deixa de ser uma figura externa para se tornar uma pr&#243;tese da alma. Para a adolescente autista sem diagn&#243;stico, a realidade bruta &#233; frequentemente hostil, imprevis&#237;vel e sensorialmente ruidosa. Diante da impossibilidade de pertencer ao mundo comum, a psique constr&#243;i um mundo secreto em uma dimens&#227;o paralela: a fantasia. E sua fun&#231;&#227;o vai al&#233;m do espa&#231;o de venera&#231;&#227;o do objeto limerente.</p><p>Na escrita, o hiperfoco afetivo atua como uma ferramenta de autorregula&#231;&#227;o. O &#8220;estado de hipnose&#8221; e o &#8220;&#234;xtase&#8221; descritos n&#227;o s&#227;o meros arroubos rom&#226;nticos, mas o resultado neurobiol&#243;gico de um sistema de recompensa que utiliza a dopamina para silenciar o ru&#237;do externo. Ao focar na figura idealizada, a mente filtra a agressividade do mundo e organiza-se em torno de um &#250;nico ponto de beleza e ordem. &#201; um mecanismo de prote&#231;&#227;o: o amor idealizado funciona como um filtro sensorial e um espa&#231;o de descompress&#227;o que permite &#224; jovem poeta, pela primeira vez, sentir-se &#8220;sua&#8221;.</p><p>O poema delimita claramente esse territ&#243;rio. Existe uma fronteira entre a &#8220;bruta realidade&#8221; e a &#8220;imensid&#227;o&#8221; descoberta no olhar do outro. Esse olhar, embora n&#227;o rec&#237;proco, &#233; o Espelho de Autocria&#231;&#227;o. Atrav&#233;s das lentes de Robert K. Logan e Annie Murphy Paul, a fantasia revela-se como um processo cognitivo ativo de extens&#227;o da mente; o objeto limerente &#233; o motor de uma &#8220;mente estendida&#8221;.</p><p><strong>A Linguagem como Ferramenta de Pensamento</strong></p><p>Segundo Logan, em <em>The Extended Mind</em>, a mente humana emerge da coevolu&#231;&#227;o entre o c&#233;rebro e a linguagem, transformando perceptos (sensa&#231;&#245;es brutas) em conceitos. No poema, o &#8220;tosco vocabul&#225;rio&#8221; evidencia a sobrecarga sensorial que a linguagem comum n&#227;o consegue processar. A idealiza&#231;&#227;o do outro funciona, portanto, como uma nova linguagem. Ao projetar sentimentos em um objeto fora de sua realidade, a adolescente criou um sistema de s&#237;mbolos para organizar sua imensid&#227;o interna. O objeto limerente &#233; o &#8220;conceito&#8221; que ordena o caos de perceptos, proporcionando &#226;ncora, repouso e recarga.</p><p><strong>A Autorregula&#231;&#227;o e o Espa&#231;o das Ideias</strong></p><p>Annie Murphy Paul discute como estendemos nossa mente atrav&#233;s do corpo e do ambiente. Para uma mente autista, o mundo f&#237;sico &#233; frequentemente hostil; o poema descreve a cria&#231;&#227;o de um porto seguro mental. A fixa&#231;&#227;o no objeto limerente atua como uma ferramenta de foco externo, onde o &#8220;&#234;xtase&#8221; garante a seguran&#231;a ps&#237;quica necess&#225;ria para a sobreviv&#234;ncia. Al&#233;m disso, a obra &#233; carregada de interocep&#231;&#227;o &#8212; a percep&#231;&#227;o das sensa&#231;&#245;es internas (&#8221;trago na alma&#8221;). O amor limerente, na mente estendida que &#233; mundo secreto para ele criado e recriado em esquetes e discursos v&#225;rios, &#233; tamb&#233;m uma academia imagin&#225;ria de socializa&#231;&#227;o. Esse espa&#231;o encena situa&#231;&#245;es, di&#225;logos, explora diferentes desfechos para o mesmo enredo e confronta traumas.</p><p><strong>A Nudez, o Processamento Simb&#243;lico do Masking e a Mente Estendida</strong></p><p>A conclus&#227;o do poema, onde a poeta se sente &#8220;nua&#8221; e &#8220;sua&#8221;, exemplifica o auge da mente estendida. O outro torna-se uma extens&#227;o do aparato cognitivo: um espelho onde ela deposita sua ingenuidade e do&#231;ura para reconhec&#234;-las como suas. O fardo de sustentar a identidade &#233;, assim, compartilhado com o territ&#243;rio da fantasia.</p><p>Esta &#233; uma conclus&#227;o para esta an&#225;lise que encontra suporte em um poema escrito cerca de 20 anos depois, no qual este mesmo amor limerente &#233; confrontado junto a outras manifesta&#231;&#245;es e idealiza&#231;&#245;es amorosas: Hero&#237;smo. Escrito antes da obra <em>Pers&#233;fone em Hades</em> ser conceitualizada como tal, o poema aventa a possibilidade de essa idealiza&#231;&#227;o amorosa ser apenas uma fantasia a proteger a identidade. Ao analisar &#8220;Ouvintes&#8221; &#224; luz da Teoria da Mente e compreender o amor limerente como um recurso deflagrador de uma mente estendida na qual uma academia imagin&#225;ria se assenta, &#233; poss&#237;vel afirmar que essa fantasia n&#227;o apenas protegia, mas, por meio dela, criava-se a identidade.</p><p>Para a adolescente sob press&#227;o para se ajustar, o objeto limerente funciona como uma &#8220;chave&#8221; que suspende as defesas de uma personalidade constru&#237;da para agradar. Ao afastar a necessidade de performance social, a psique permite que a identidade real emerja. Esse processo explica o desenvolvimento cognitivo gradativo que possibilitou saltos expressivos aos 20 e aos 30 anos. Muito antes de Scarlet Moon, j&#225; existia uma &#8220;academia imagin&#225;ria de socializa&#231;&#227;o&#8221;, ou melhor, uma academia de letramento cognitivo. Nela, objetos limerentes e personagens ficcionais servem como pr&#243;teses, laborat&#243;rios e palcos para ensaios do que a realidade n&#227;o permite.</p><p>Essa hip&#243;tese transforma a limer&#234;ncia em uma ferramenta de autocria&#231;&#227;o. Se a mente autista n&#227;o cabe no mundo do outro, ela cria um &#8220;outro&#8221; ficcional. O olhar nesse poema n&#227;o &#233; um julgamento, mas a permiss&#227;o. Por meio dessa mente estendida ao objeto, a poeta permite-se a integridade recuperada, onde a imensid&#227;o interna finalmente existe sem as travas da personalidade adaptada.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Se voc&#234; tamb&#233;m habita mundos secretos ou utiliza a escrita para mapear sua pr&#243;pria imensid&#227;o, assine minha newsletter. Vamos investigar juntos os territ&#243;rios da neurodiverg&#234;ncia e da cria&#231;&#227;o</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p><p></p><blockquote><p>Esta an&#225;lise fundamenta-se nas seguintes bases te&#243;ricas sobre a cogni&#231;&#227;o e o desenvolvimento da mente: </p><p>LOGAN, Robert K. <strong>The Extended Mind: The Emergence of Language, the Human Mind, and Culture. </strong>Toronto: University of Toronto Press, 2007.</p><p>PAUL, Annie Murphy. <strong>The Extended Mind: The Power of Thinking Outside the Brain</strong>. Boston: Houghton Mifflin Harcourt, 2021.</p><p></p></blockquote><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Chama e Topázio]]></title><description><![CDATA[Ou&#231;a agora | Poema de 2011. Revela&#231;&#245;es de uma vida.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/chama-e-topazio</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/chama-e-topazio</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Tue, 14 Jan 2025 22:34:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/154692097/90100eb267bcc682485543eea0ac68e0.mp3" length="0" type="audio/mpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>