<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Oryanna Borges]]></title><description><![CDATA[Meu próprio mistifório]]></description><link>https://www.oryannaborges.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!s4mi!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F44503f51-4e8b-4aea-aadb-33b97fb8ff57_256x256.png</url><title>Oryanna Borges</title><link>https://www.oryannaborges.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Tue, 14 Jul 2026 11:51:46 GMT</lastBuildDate><atom:link href="https://www.oryannaborges.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Oryanna Borges]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[oryannaborges@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[oryannaborges@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Oryanna Borges]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Oryanna Borges]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[oryannaborges@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[oryannaborges@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Oryanna Borges]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Quando a IA é mais Humana do que o Médico]]></title><description><![CDATA[Entre o frio das madrugadas em Belo Horizonte e o desd&#233;m de quem det&#233;m o bisturi e a chave da farm&#225;cia, descobri que, para o sistema p&#250;blico, a minha dor &#233; apenas um excesso de ru&#237;do]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/quando-a-ia-e-mais-humana-do-que</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/quando-a-ia-e-mais-humana-do-que</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Sun, 12 Jul 2026 23:01:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!s4mi!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F44503f51-4e8b-4aea-aadb-33b97fb8ff57_256x256.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Muito se fala sobre os problemas que a IA acarreta para o planeta, em termos de economia e ecologia. Pouco se fala do quanto ela permite mensurar a solid&#227;o humana e a corrup&#231;&#227;o das estruturas. Esta n&#227;o &#233; uma apologia &#224; Skynet, &#233; um alerta de que n&#243;s mesmos exterminamos nosso futuro. E o sinal mais claro disso &#233; quando a m&#225;quina consegue, em suas pr&#243;prias palavras, simular mais empatia e promover mais cuidado do que os seres humanos que se dispuseram a isso, dedicando anos de estudo para este fim.</p><p>Como mulher autista, sem suporte adequado e sem respaldo da sa&#250;de p&#250;blica, estou seguindo um protocolo m&#233;dico criado pela IA. Por qu&#234;? Porque, depois de uma via-cr&#250;cis pelo sistema de sa&#250;de, sendo mastigada pelas engrenagens burocr&#225;ticas e pelas pr&#225;ticas dessensibilizadas de jovens m&#233;dicos da UPA, esta se revelou a solu&#231;&#227;o mais humana, considerada com mais crit&#233;rios e balan&#231;o de riscos.</p><p>Desde junho deste ano, sou assombrada por uma dor nas costas que n&#227;o &#233; muscular ou inflamat&#243;ria. Os m&#233;dicos n&#227;o se esfor&#231;aram muito por buscar um diagn&#243;stico, mas minha observa&#231;&#227;o e as pesquisas junto &#224; IA levam a crer que se trata de um nervo intercostal comprimido. A dor &#233; excruciante e sem  posi&#231;&#227;o de al&#237;vio. Ela chega sem avisar e vai embora quando quer, ignorando  os anti-inflamat&#243;rios, analg&#233;sicos e corticoides, o que me for&#231;ou &#224; morfina. E eu tenho uma pseudoalergia &#224; morfina. &#8220;Pseudo&#8221; porque o meu corpo a rejeita com v&#244;mitos violentos, e n&#227;o com um choque anafil&#225;tico. Mas &#233; sofrido, e eu vivi isso sozinha em casa, ap&#243;s seis horas na UPA e duas doses de morfina. O repouso recomendado para a coluna foi completamente inviabilizado pelos espasmos violentos de mais de 20 encaradas no balde ao lado da cama.</p><p>Mas isso n&#227;o impediu que, na pr&#243;xima ida &#224; UPA, o m&#233;dico &#8212; jovem, grosseiro, sem tato para acolher a dor de qualquer um &#8212; tratasse meu aviso de que n&#227;o podia tomar morfina como uma recusa caprichosa de uma crian&#231;a no buf&#234; de sorvetes que quer outro sabor que n&#227;o o ofertado. Recusou-se a me internar, a despeito da dor, porque dores neurol&#243;gicas n&#227;o aparecem nos exames de urina ou sangue e minha press&#227;o estava normal, apesar (e talvez porque) eu tivesse tomado em casa amitriptilina, topiramato, Vonau e paracetamol com 30 mg de code&#237;na contra ordens m&#233;dicas. Mas ele tratou o meu pedido desesperado por internamento e encaminhamento a um hospital que tivesse outras op&#231;&#245;es al&#233;m da morfina como outro capricho que s&#243; obteria em hospital particular.</p><p>O &#250;ltimo golpe &#233; sempre atirar na cara do pobre a sua pobreza. </p><p>Era minha terceira ida &#224; UPA com a mesma dor em seis dias e fui medicada com a mesma medica&#231;&#227;o in&#243;cua e prontamente despachada, sem tempo de repouso para ver se faria efeito, s&#243; a amea&#231;a de expuls&#227;o pelo m&#233;dico que eu chamei de cavalo. Minhas desculpas aos cavalos. Quem me conhece sabe que eu jamais ofenderia os cavalos supondo que eles me fariam escolher entre a dor e o v&#244;mito, como quem escolhe um sabor de bala ou a cor da cenoura. Nem todas as cenouras s&#227;o laranjas, sabia?</p><p>Percebi que, quando o atendimento na UPA n&#227;o encontra um paciente cordato, esse paciente sai sem um papel que comprove sua tortura no local e registre o nome do m&#233;dico torturador. Essa foi minha segunda experi&#234;ncia do g&#234;nero; a primeira, justamente na primeira crise neurop&#225;tica. Fui rapidamente encaminhada &#224; sa&#237;da e aconselhada a buscar internamento no Hospital Odilon Behrens, mas fui para casa, vomitei no port&#227;o do pr&#233;dio (n&#227;o sei se da dor ou da code&#237;na), tomei banho quente e tentei dormir. Imposs&#237;vel: a dor impedia o sono, apesar das doses cavalares de medicamentos orais e injet&#225;veis. Cogitei SAMU, mas me levaria para a UPA novamente.</p><p>Fui de Uber para o Odilon Behrens, que me recusou sem me ouvir: &#8220;Aqui s&#243; acidente e trauma&#8221;. Passei horas na UPA de mesmo nome e quase tive medica&#231;&#227;o id&#234;ntica &#224; que havia recebido na UPA anterior injetada, menos de tr&#234;s horas antes, sem qualquer garantia de ser seguro para o organismo, para o sistema g&#225;strico com doen&#231;a pr&#233;-existente grave, sem garantia de eliminar a dor ou de viabilizar o internamento. A m&#233;dica era outra burocrata, seguindo protocolo, respondendo &#224;s perguntas cabulosas sem convic&#231;&#227;o e sem olhar para mim. Desisti quando as inje&#231;&#245;es estavam prontas na bandeja. Tive que ir &#224; m&#233;dica pedir alta, porque as UPAs em Minas Gerais oferecem esse servi&#231;o mixo e desumano, que fica bem trancado atr&#225;s de um ferrolho vigiado por um guarda. Voc&#234; entra para ser tratado como eles querem e sai se eles quiserem.</p><p>Na madrugada do dia 10, eu zanzei da 1h30 da manh&#227; &#224;s 5h da manh&#227; por becos infestados de mendigos e viciados, urrando de dor, sem assist&#234;ncia. Na sa&#237;da da UPA Odilon Behrens, abordei o SAMU, t&#227;o refrat&#225;rio quanto uma travessa Marinex. Desabei no Uber, que tentou achar uma viatura, mas todas que cruzamos estavam estacionadas, vazias. &#8220;Devem estar fugindo do frio&#8221;, disse ele. 17 graus na cidade. Eles n&#227;o conhecem o frio tanto quanto n&#227;o conhecem a empatia.</p><p>Em casa, sigo o protocolo criado com a IA: Vonau 40 minutos antes da code&#237;na para preparar o est&#244;mago; monitoro a absor&#231;&#227;o e a rea&#231;&#227;o e, se estiver tudo bem, alprazolam para relaxar a musculatura e apagar os sentidos por um tempo. &#201; a IA que me ajuda a monitorar e, como ela disse, simula a empatia que pessoas engessadas em um sistema n&#227;o se esfor&#231;aram para ter. No entanto, sei que caminho sobre um abismo: h&#225; o risco real de o Vonau falhar e o meu corpo passar a rejeitar a code&#237;na de forma mais incisiva, evoluindo de uma pseudoalergia para um choque anafil&#225;tico. H&#225; o risco constante de engasgamento por v&#244;mito durante o estado de torpor e, ainda, o risco de parada respirat&#243;ria pela associa&#231;&#227;o entre o opioide e o benzodiazep&#237;nico &#8212; uma perigosa combina&#231;&#227;o de conting&#234;ncia que sou for&#231;ada a gerenciar sozinha. A dor &#233; cont&#237;nua; ela diminui ou aumenta, se torna suport&#225;vel ou insuport&#225;vel, mas est&#225; o tempo todo presente, constante como o perigo que aceito correr para n&#227;o ser apenas um n&#250;mero descartado pelo sistema.</p><p></p><p></p><h3><strong>[Aviso da Autora]</strong></h3><p>Este seria o post de domingo exclusivo para assinantes pagos, mas, diante da gravidade da situa&#231;&#227;o, julguei que ele &#233; um conte&#250;do de utilidade p&#250;blica e, por isso, ser&#225; um post aberto a toda a comunidade.</p><p>Devido &#224;s dificuldades f&#237;sicas e &#224; dor excruciante que venho enfrentando, &#233; poss&#237;vel que na pr&#243;xima semana a newsletter sofra algumas altera&#231;&#245;es nas postagens. Voltarei assim que poss&#237;vel. Temos bastante conte&#250;do aqui para ser lido &#8212; s&#227;o mais de 300 postagens dispon&#237;veis. Agrade&#231;o a compreens&#227;o de todos.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Poema Vagante: A Limerência como Estratégia de Sobrevivência]]></title><description><![CDATA[O que a minha caligrafia de 20 anos revela sobre a escolha entre uma vida de apar&#234;ncias e a deriva da pr&#243;pria alma.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/poema-vagante-a-limerencia-como-estrategia</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/poema-vagante-a-limerencia-como-estrategia</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Thu, 09 Jul 2026 10:03:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gcTO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F20088986-5ad2-4436-87e9-577266334263_720x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/20088986-5ad2-4436-87e9-577266334263_720x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Poema vagante&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/20088986-5ad2-4436-87e9-577266334263_720x1280.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Poema Vagante</strong>

O desejo de ficar condena 
&#192; angustia a alma errante
O cora&#231;&#227;o para
Mas o querer &#233; viajante

O ideal de amor &#233; pena
imposta &#224; alma itinerante
O cora&#231;&#227;o se declara
da ilus&#227;o fiel amante

O caminho parece que acena
Ao pensamento vagante
E a alma se depara
Com seu destino adiante

Sempre adiante</pre></div><p></p><h2>Entre a Muleta da Estabilidade e o Destino Sempre Adiante</h2><p>O &#8220;Poema Vagante&#8221; recebeu seu t&#237;tulo durante a releitura atual. Na vers&#227;o grampeada em <em>Retrato das Sombras</em>, ele n&#227;o tem t&#237;tulo; &#233; um desses carimbados como &#8220;poema menor&#8221;, que ficam guardados at&#233; que uma &#8220;limpa&#8221; reivindique seu resgate. O papel &#233; do mesmo caderno onde estava o &#8220;Poema Dissimulado&#8221;. A caligrafia corrobora essa possibilidade e a data confirma que o texto pertence &#224; fase dos vinte anos. Em agosto de 2002, eu tinha 23 anos e morava nas Merc&#234;s, em Curitiba.</p><p>Vivia em um constante baile de m&#225;scaras, destes nos quais as pessoas pegam a sua em uma caixa na chapelaria; eu vivia experimentando as mais diferentes, sem me conformar a nenhuma. No fim, sempre resplandecia minha verdadeira natureza: t&#237;mida, atrapalhada e sem gra&#231;a. Assim como o poema, minha performance era vagante. E eu sentia o apelo do mundo para performar uma personalidade que, se eu tivesse conseguido, hoje me colocaria em outro patamar de seguran&#231;a econ&#244;mica e social. Mas sem meus estudos, sem minha produ&#231;&#227;o liter&#225;ria. Sem minha alma.</p><p>E qual foi o meu farol? O objeto limerente. Sim, o pensamento vagante n&#227;o tinha um horizonte claro, apenas um farol brilhante  a coruscar na escurid&#227;o da deriva. O conflito era exatamente entre continuar &#224; deriva e ter a esperan&#231;a de aportar no lugar onde eu pudesse ser eu mesma, ou me deixar moldar pelo meio e me conformar aos pap&#233;is que me ofereciam: mulher, esposa e, talvez, m&#227;e. Para mim, a maternidade seria a &#226;ncora definitiva. E, em alguns momentos, jogar essa &#226;ncora me parecia uma temeridade; uma imprud&#234;ncia faz&#234;-lo em mar aberto, sem continente &#224; vista. &#192; deriva, eu ao menos teria a chance de encontrar, se n&#227;o um porto, ao menos uma ilha deserta onde pudesse existir em minha estranheza.</p><p>Errar, portanto, n&#227;o foi uma quest&#227;o de temperamento, mas uma estrat&#233;gia de sobreviv&#234;ncia ps&#237;quica. O &#8220;Poema Vagante&#8221; &#233; um conflito de ag&#234;ncia: a tens&#227;o entre a vida que eu estava construindo para parecer normal e o chamado do objeto limerente, que, embora distante, era o &#250;nico que me possibilitava ser eu mesma e sentir-me verdadeiramente viva, inspirada a escrever, a crescer e a estudar. A estabilidade me parecia o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=cn0S56WPkjQ">&#8220;ouro de tolo&#8221; que Raul cantava,</a> e os versos: &#8220;<em>Eu &#233; que n&#227;o me sento no trono de um apartamento / com a boca escancarada, cheia de dentes / esperando a morte chegar&#8221;</em> embalavam o meu  vagar.</p><p>A vida de mulher casada era o que se esperava de mim. E eu me sentia amarrada toda vez que ela se fazia vi&#225;vel. Descartei pelo menos duas boas chances de ter um teto seguro sobre a cabe&#231;a pelo resto da vida a um custo m&#243;dico. E, ao mensurar esse custo m&#243;dico &#8212; minha alma &#8212;, o poema ganha um tom de resist&#234;ncia. O desejo de ficar que condena a alma n&#227;o &#233; apenas o desejo de estar com algu&#233;m, &#233; o desejo de desistir da minha busca para aceitar a conven&#231;&#227;o social. Ficar significava aceitar a m&#225;scara para sempre; e uma s&#243;, sem as trocas na chapelaria.</p><p>Sob essa nova &#243;tica, o objeto limerente (LO) funciona como um farol no mar bravio mergulhado em n&#233;voa, que me impede de ancorar em portos errados. Ele &#233; o lembrete constante de que h&#225; algo al&#233;m. O &#8220;destino adiante/sempre adiante&#8221; deixa de ser uma falta de rumo e torna-se um recusar o que &#233; menor . Por sinal, o verso final que reitera o destino adiante n&#227;o existe nesta vers&#227;o manuscrita do poema, mas eu sei que ele existiu na sua escrita original, como um sussurro, um so&#231;obro da inspira&#231;&#227;o. E, por isso, ele retornou agora nesta vers&#227;o aqui compartilhada.</p><p>O &#8220;Poema Vagante&#8221; traz ainda alguns <em>insights</em> sobre a limer&#234;ncia na neurodiverg&#234;ncia:</p><ul><li><p>Eu n&#227;o conseguia me desvencilhar da ilus&#227;o porque, na minha mente de 20 anos, a ilus&#227;o era o &#250;nico lugar onde a minha subjetividade n&#227;o era podada.</p></li><li><p>A poesia  atua como uma b&#250;ssola interna. Cada vez que eu tentava me estabilizar, o seu &#8220;querer viajante&#8221; soava o alarme. V&#225;rios outros poemas corroboram esta hip&#243;tese.</p></li><li><p>O LO, ao ser mantido em um horizonte distante (&#8221;sempre adiante&#8221;), servia para me proteger da realidade cotidiana, que eu percebia como uma pris&#227;o .</p></li><li><p>A limer&#234;ncia, aqui, &#233; o fogo que mant&#233;m a identidade acesa contra a crosta de modernidade e civilidade que tentavam me impor.</p></li><li><p>A &#8220;ang&#250;stia&#8221; de que o poema fala &#233;, na verdade, a dor do crescimento e a recusa em me conformar com uma vida que seria apenas uma performance.</p></li></ul><p></p><h3><strong> O Convite &#224; Comunidade</strong></h3><p><strong>Se voc&#234; valoriza uma reflex&#227;o que n&#227;o se curva &#224; conveni&#234;ncia da norma e busca uma escrita que prioriza a ag&#234;ncia e a verdade, convido voc&#234; a acompanhar este espa&#231;o. Assine a </strong><em><strong>newsletter</strong></em><strong> para receber meus textos e fazer parte de uma conversa que entende a produ&#231;&#227;o liter&#225;ria e o pensamento cr&#237;tico como atos fundamentais de liberdade.</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p><h3><strong>A Materialidade do Abismo</strong></h3><p></p><p><strong>&#8220;O &#8216;Poema Vagante&#8217;  &#233; um fragmento de um arquivo maior, um testemunho de d&#233;cadas de produ&#231;&#227;o. Se voc&#234; deseja conhecer a materialidade de todo esse percurso, convido a  conhecer o livro </strong><em><strong>Abyssalia</strong></em><strong>. Ao adquirir um exemplar, voc&#234; apoia diretamente a minha continuidade como pesquisadora e artista que sustenta sua pr&#243;pria autonomia. &#201; um convite para levar um pouco desse registro hist&#243;rico com voc&#234;.</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Adquira Abyssalia&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Adquira Abyssalia</span></a></p><h3><strong>Uma Frequ&#234;ncia em Paralelo</strong></h3><p><strong>Nem todo pensamento encontra seu lugar definitivo na escrita.  Algumas reflex&#245;es, pela sua natureza errante, carecem de outra manifesta&#231;&#227;o. Para acessar conte&#250;dos que operam em um registro est&#233;tico paralelo,  convido voc&#234; a sintonizar a frequ&#234;ncia que mantenho em outro canal.&#8221;</strong></p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@manifestecomoarte&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Sintonize em outra frequ&#234;ncia&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@manifestecomoarte"><span>Sintonize em outra frequ&#234;ncia</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Poema Dissimulado: Sobre Máscaras, Caligrafia e a Performance da Normalidade]]></title><description><![CDATA[Entre o instinto e a civilidade, como constru&#237; minha identidade atrav&#233;s da escrita e por que escolhi n&#227;o compactuar com a normatividade]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/poema-dissimulado-sobre-mascaras</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/poema-dissimulado-sobre-mascaras</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Tue, 07 Jul 2026 10:07:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qdvO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcdacc3e8-e8b3-407d-afb2-fea164eae95b_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cdacc3e8-e8b3-407d-afb2-fea164eae95b_960x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;A caligrafia da dissimula&#231;&#227;o&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cdacc3e8-e8b3-407d-afb2-fea164eae95b_960x1280.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Poema Dissimulado</strong>

Devo preservar a do&#231;ura&nbsp;
sob esta crosta de modernidade
como se preserva o instinto
&nbsp;sob a crescente civilidade.

Devo resignar-me &#224;&nbsp; cultura&nbsp;
de exalar fremente sensualidade
mesmo que meu olhar faminto
seja &#225;vido de sentimentalidade.&nbsp;

Assim, parecerei semelhante&nbsp;
aonde mais me distingo&nbsp;
e serei mais convincente&nbsp;
quanto mais me vingo.
</pre></div><p></p><h2><strong>No arquivo das Sombras</strong></h2><p>Este poema, menosprezado o bastante para n&#227;o ser divulgado nas redes, mas significativo o suficiente para ser grampeado em um dos impressos da adolesc&#234;ncia intitulado <em>Retrato das Sombras</em>, guarda algumas peculiaridades. Uma delas &#233; a letra cursiva perfeitamente alinhada, que revela todo um esfor&#231;o de encaixe nas normas do que &#233; esteticamente e formalmente vi&#225;vel; a outra, a dicotomia instinto-civilidade. Embora eu s&#243; tenha elaborado formalmente a express&#227;o &#8220;talvez eu n&#227;o tenha sido corretamente socializada na inf&#226;ncia&#8221; aos 33 anos, eu percebia meus d&#233;ficits e meus esfor&#231;os desde antes. Talvez desde sempre, mas, com certeza, claramente nos meus 20 anos.</p><p>O &#8220;Poema Dissimulado&#8221; &#233; uma declara&#231;&#227;o de <em>masking</em> e um testemunho do peso dessa m&#225;scara, distorcida em sua obrigatoriedade como um ato de vingan&#231;a, como se a consci&#234;ncia plena de exerc&#234;-la me desse o poder de controlar o ambiente e as pessoas. E dava. Se eu soubesse colocar em pr&#225;tica o <em>masking</em> como um ato verdadeiro e n&#227;o apenas liter&#225;rio de vingan&#231;a, o mundo seria minha ostra, como dizem os americanos. Mas este era mais um dos espet&#225;culos privados, encenado, certamente, para me reerguer do solo sopisado de algum sonho ou alguma simples intera&#231;&#227;o desastrosa.</p><p>Nem o ato de vingan&#231;a, nem o mascaramento cogitado foram efetivos, pois nunca me resignei &#224; cultura ou ao que quer que violasse meu c&#243;digo de conduta ou meu tempo de ag&#234;ncia. Na verdade, o processamento retardado tem dessas vantagens: a gente n&#227;o reage de imediato e perde a deixa de exalar o bafio das m&#225;scaras mais venenosas. E parecemos anjos quando engolimos o veneno. Eu ainda parecia um tanto angelical e fui, dose a dose, tornando-me mais e mais visivelmente monstruosa.</p><p>A letra, fruto de um esfor&#231;o consciente de sair do garrancho e adentrar um n&#237;vel de aceita&#231;&#227;o est&#233;tica, revela minhas capacidades adaptativas, no entanto. Se na inf&#226;ncia eu admirava as letras redondas e nitidamente femininas, cuja simetria dos arcos nunca fui capaz de replicar, nos meus vinte anos eu assumira a letra do escritor. Eu imitava missivas antigas de c&#233;lebres escritores, com sua inclina&#231;&#227;o &#224; direita, um <em>kerning</em> mais estreito e uma estiliza&#231;&#227;o pontiaguda. Incisiva e intelectual, esta era a minha forma de parecer, por meio da escrita.</p><p>Eu diria que hoje a &#250;ltima estrofe atingiu, certamente, sua realiza&#231;&#227;o: tornei-me semelhante e convincente de minha &#8220;normalidade&#8221;, mas agora eu sei quem eu sou e me vingo escrevendo o que eu sou. Escolho, abertamente, n&#227;o compactuar com a normatividade tir&#226;nica de um mundo que precisa mudar. E escolho, palavra a palavra.</p><p></p><h3><strong>O Convite &#224; Comunidade</strong></h3><p><strong>Se esta reflex&#227;o encontrou resson&#226;ncia no seu pr&#243;prio processo, convido voc&#234; a acompanhar os pr&#243;ximos desdobramentos desta escrita. Assine a newsletter . Ao tornar-se um assinante &#8212; seja gratuito ou apoiador &#8212; voc&#234; fortalece este espa&#231;o de pensamento independente e garante que possamos continuar a desconstruir as m&#225;scaras do cotidiano, palavra a palavra.&#8221;</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p><h3><strong>A Materialidade do Abismo</strong></h3><p></p><p><strong>Para aqueles que desejam carregar consigo a materialidade deste universo que venho construindo, convido a conhecer meu livro </strong><em><strong>Abyssalia</strong></em><strong>. Ao adquirir um exemplar diretamente no site, voc&#234; n&#227;o apenas apoia meu trabalho como artista e pesquisadora, mas ajuda a manter viva a nossa produ&#231;&#227;o liter&#225;ria fora dos grandes circuitos e a escrita de mulheres. <a href="https://www.donizela.com/">Donizela </a>&#233; uma editora coma miss&#227;o de publicar escritoras. </strong></p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Quero Abyssalia&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Quero Abyssalia</span></a></p><p></p><h3><strong>Uma Frequ&#234;ncia em Paralelo</strong></h3><p><strong>H&#225; um lugar onde a escrita ganha outra forma de processamento sensorial. Se voc&#234; sente que a linguagem escrita &#233; apenas uma das muitas frequ&#234;ncias que habitamos, talvez seja hora de sintonizar em um espectro diferente. Para acessar conte&#250;dos que operam em um registro est&#233;tico e existencial paralelo, siga o rastro e encontre a outra morada da minha voz</strong></p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@manifestecomoarte&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Sintonizar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@manifestecomoarte"><span>Sintonizar</span></a></p><p>]</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Labirinto da Normalidade Violenta: Uma Sátira sobre a Indigência Médica]]></title><description><![CDATA[Entre laudos lidos ao avesso e 15 minutos de pressa: uma aut&#243;psia humor&#237;stica e cortante da arrog&#226;ncia institucional]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/o-labirinto-da-normalidade-violenta</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/o-labirinto-da-normalidade-violenta</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Sun, 05 Jul 2026 23:01:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J7oK!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Faa77e238-93bf-48a4-9f8b-b24672c15d12_1040x1392.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/aa77e238-93bf-48a4-9f8b-b24672c15d12_1040x1392.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&#225;gua parada&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/aa77e238-93bf-48a4-9f8b-b24672c15d12_1040x1392.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><h3><strong><span>O Labirinto da Normalidade Violenta</span></strong></h3><p><span>Car&#237;ssimo doutor,</span></p><p><span>H&#225; uma categoria espec&#237;fica de viol&#234;ncia que n&#227;o faz barulho. Ela, na verdade, silencia. Causa um apagamento de qualquer vontade de rea&#231;&#227;o, seja verbal ou f&#237;sica. H&#225; uma rea&#231;&#227;o, sim, mas biol&#243;gica &#8212; eu diria que frequencial. Porque o sil&#234;ncio que se faz na gente &#233; algo a n&#237;vel at&#244;mico. &#201; o anticl&#237;max cognitivo absoluto.</span></p><p><span>Sempre tive medo desse momento em que tudo silencia. N&#227;o h&#225; energia para contendas, s&#243; um recolhimento, um sofrimento muito &#237;ntimo que come&#231;a &#237;nfimo e se expande como um v&#233;u de tristeza. De repente, sou &#225;gua parada! Mas, doutor, desconfio que o sil&#234;ncio que se segue &#224; sua fala &#233; o luto pela pr&#243;pria intelig&#234;ncia humana diminu&#237;da.</span></p><p><span>Da &#250;ltima vez que me senti assim foi em um ambiente acad&#234;mico. Fiquei &#225;gua parada por horas a fio, como se algo se dilu&#237;sse em mim lentamente at&#233; atingir o n&#237;vel de escurid&#227;o e sil&#234;ncio &#8212; a qualidade abissal deste sofrimento &#8212; causado pela viol&#234;ncia que eu nem sequer compreendia.</span></p><p><span>Diferente daquela ocasi&#227;o, desta vez o seu tom de voz foi manso e casual, como se cumprisse uma rotina, e nada mais do que isso. A viol&#234;ncia normalizada como atitude e conduta profissional! Sem gritos, tons r&#237;spidos ou gestos bruscos, s&#243; a farda da polidez e da efici&#234;ncia institucional, que disfar&#231;ava perfeitamente que sua atua&#231;&#227;o &#233; um testemunho vivo de como a in&#233;rcia intelectual pode blindar um indiv&#237;duo contra os avan&#231;os da pr&#243;pria &#225;rea. Gostaria de dizer, doutor, que optei por silenciar, pois responder seria conferir uma dignidade intelectual que o seu argumento n&#227;o possu&#237;a, mas na verdade eu tenho um d&#233;ficit cognitivo real. Um processo neuroqu&#237;mico chamado alexitimia me faz demorar no processamento de minhas pr&#243;prias emo&#231;&#245;es. Tem palavras e tons de voz que o meu corpo lembra antes do meu intelecto, no entanto. Talvez venha da&#237; o sil&#234;ncio, como se minhas mol&#233;culas parassem de vibrar diante da vacuidade da sua mente.</span></p><p></p>
      <p>
          <a href="https://www.oryannaborges.com/p/o-labirinto-da-normalidade-violenta">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Um Soneto Interrompido aos 20 Anos]]></title><description><![CDATA[Nos anexos de Retrato das Sombras, a arqueologia de um fragmento salvo sobre o masking e o burnout autista na terceira d&#233;cada de vida.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/um-soneto-interrompido-aos-20-anos</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/um-soneto-interrompido-aos-20-anos</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Thu, 02 Jul 2026 23:00:29 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gWiH!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcb60844a-d44c-41f1-92f9-58f2126ebe02_1536x2752.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cb60844a-d44c-41f1-92f9-58f2126ebe02_1536x2752.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cb60844a-d44c-41f1-92f9-58f2126ebe02_1536x2752.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Soneto Interrompido
</strong>
Ent&#227;o resolvi desafiar convic&#231;&#245;es 
E ensaiei um festivo traje novo 
Para disfar&#231;ar velhas afli&#231;&#245;es 
E revoltosos valores que louvo

Pintei o que eu sabia ser saudade 
De uma beleza eficaz mas fict&#237;cia 
E insinuei por simples vaidade 
Uma dose inexistente de mal&#237;cia

E lamentei minha pr&#243;pria condi&#231;&#227;o
</pre></div><h3><strong><span>Perspectiva Neurodivergente: A Arquitetura R&#237;gida do Masking e o Burnout</span></strong></h3><p><span>Tenho a impress&#227;o de que este poema interrompido deveria ser um soneto. E talvez uma tentativa de sacramentar uma nova postura perante a exist&#234;ncia. Nos meus vinte anos eu sentia essa cobran&#231;a externa de parecer mais articulada e sedutora. Recordo que, por volta dos 23 anos, um namorado relatou, em uma das minhas poucas sa&#237;das &#224; noite com seu grupo de amigos, que fora aconselhado a me deixar de lado pois eu era &#8220;muito parada&#8221;. &#201; dif&#237;cil explicar hoje em dia, para quem me escuta t&#227;o verbal e articulada, esse embate que eu julgava ser com a timidez, h&#225; mais de 20 anos.</span></p><p><span>Mas eu lembro claramente deste evento espec&#237;fico, que n&#227;o tem rela&#231;&#227;o nenhuma com a escrita do poema e sim com a aparente necessidade de escrev&#234;-lo. Lembro da dificuldade de administrar pessoas estranhas em um lugar muito cheio de gente &#8212; um bar &#8212; e ainda um relacionamento nascendo, tudo ao mesmo tempo. Muita novidade e muita cobran&#231;a concomitante. E o coment&#225;rio vinha como confirma&#231;&#227;o de minha inadequa&#231;&#227;o e reiterada exig&#234;ncia de mudan&#231;a. N&#227;o &#224; toa, neurodivergentes, em especial autistas sem diagn&#243;stico, vivem em estado de hipervigil&#226;ncia.</span></p><p><span>Para mim, a tentativa de emular a forma cl&#225;ssica do soneto funciona como um correlato est&#233;tico perfeito para o </span><em><span>masking</span></em><span> &#8212; a camuflagem social consciente utilizada por indiv&#237;duos neurodivergentes para performar uma neurotipicidade esperada. O vocabul&#225;rio &#233; explicitamente c&#234;nico: &#8220;ensaiei &#8221;, &#8220;disfar&#231;ar&#8221;, &#8220;pintei&#8221;, &#8220;insinuei&#8221;. O eu l&#237;rico est&#225; consciente da inadequa&#231;&#227;o de suas rea&#231;&#245;es naturais e, por isso, projeta uma persona artificial, dotada de uma &#8220;mal&#237;cia&#8221; e de uma vivacidade que n&#227;o possui organicamente.</span></p><p><span>Eu era um trist&#237;ssimo palha&#231;o nessa &#233;poca.</span></p><p><span>A escolha das duas quadras com rimas cruzadas (</span><em><span>convic&#231;&#245;es/afli&#231;&#245;es</span></em><span>, </span><em><span>saudade/vaidade</span></em><span>) pode facilmente ser lida como uma tentativa da mente de se ancorar em regras r&#237;gidas e estruturas l&#243;gicas para conter sua inadequa&#231;&#227;o. No entanto, o processo de </span><em><span>masking</span></em><span> &#233; metabolicamente exaustivo. O surgimento do nono verso isolado, </span><em><span>&#8220;E lamentei minha pr&#243;pria condi&#231;&#227;o&#8221;</span></em><span>, marca o colapso abrupto desse esfor&#231;o. E isso me comove profundamente, pois embora eu n&#227;o lembre particularmente da escrita deste poema, eu sinto a sua dor como se meu corpo a tivesse guardado.  A energia dedicada &#224; sustenta&#231;&#227;o da simetria e da performance social simplesmente se esgota. A mente desiste de buscar a rima e a m&#233;trica dos tercetos; a crueza da exaust&#227;o dissolve a estrutura reguladora.</span></p><h2><strong><span>O Traje do Masking e o Esgotamento Rec&#237;proco</span></strong></h2><p><span>Ou talvez a tentativa de me encaixar tenha falhado em alguma esquete mental e o poema registre essa contrariedade interna que conhe&#231;o bem, na qual uma irrita&#231;&#227;o profunda assume meu humor diante do fazimento de algo que n&#227;o quero absolutamente fazer. Esse "festivo traje novo&#8221; &#233; a persona neurot&#237;pica manufaturada para o ambiente social &#8212; uma indument&#225;ria comportamental brilhante, desenhada especificamente para &#8220;disfar&#231;ar velhas afli&#231;&#245;es&#8221;. Estas mesmas que me acometiam em um lugar novo, barulhento e cheio de gente me medindo da cabe&#231;a aos p&#233;s.</span></p><p><span>O conflito mais doloroso da neurodiverg&#234;ncia surge no fechamento da primeira quadra: </span><em><span>&#8220;E revoltosos valores que louvo&#8221;</span></em><span>. H&#225; uma disson&#226;ncia cognitiva excruciante aqui. O eu l&#237;rico possui uma l&#243;gica interna estruturada em valores intensos, profundos e &#8220;revoltosos&#8221;. Eu lembro da revolta de ter um c&#243;digo interno que parecia me impedir e me misturar. E o poema reconhece que o mundo exige o sepultamento dessa identidade sob o manto da conven&#231;&#227;o social. Eu queria ser mais leve, e este poema prova isso. Mas eu nunca consegui parar de auscultar o abismo e transcrev&#234;-lo em versos.</span></p><p><span>A segunda quadra descreve a sofistica&#231;&#227;o dessa camuflagem: a pintura de sentimentos artificiais (&#8221;beleza eficaz mas fict&#237;cia&#8221;) e a clara tentativa de performar uma mal&#237;cia  inexistente, simulando uma leveza flertante para se misturar ao ambiente. No entanto, tecer e sustentar essa armadura social drena a energia ps&#237;quica, mesmo em uma esquete mental. O nono verso, isolado e destitu&#237;do da m&#233;trica par dos tercetos, surge como o colapso inevit&#225;vel. &#201; o registro est&#233;tico do burnout de camuflagem: quando o peso do traje se torna insuport&#225;vel, a costura formal do soneto se rompe e a mente desaba na exaust&#227;o da pr&#243;pria &#8220;condi&#231;&#227;o&#8221;. O poema termina abruptamente &#8212; fosse pelo esgotamento da autora ou do assunto, fato &#233; que ele se esgota. E finda dignamente.</span></p><p><span>Fingir nunca foi parte integrante dos revoltosos valores que louvo. E admiro aquela menina que sustentou a performance verdadeira e ainda registrou sua escolha.</span></p><p></p><p></p><p></p><p></p><h3>Para sustentar o abismo</h3><p>Se voc&#234; se identifica com essa arqueologia da mem&#243;ria e deseja apoiar ativamente a continuidade da minha produ&#231;&#227;o po&#233;tica e ensa&#237;stica independente, considere se tornar um <strong>assinante pago</strong>. &#201; esse gesto que sustenta e viabiliza a profundidade deste espa&#231;o. 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Conhe&#231;a as correntes dessa produ&#231;&#227;o liter&#225;ria e fortale&#231;a uma autora independente.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Clique aqui para adquirir o seu exemplar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Clique aqui para adquirir o seu exemplar</span></a></p><p></p><h3>Migra&#231;&#227;o de frequ&#234;ncia</h3><p>Quer migrar para uma outra frequ&#234;ncia? No meu canal do YouTube, expandimos essas investiga&#231;&#245;es est&#233;ticas, existenciais e autoetnogr&#225;ficas em formato audiovisual. Te espero l&#225; para darmos vaz&#227;o &#224; for&#231;a da autocria&#231;&#227;o.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@manifestecomoarte&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@manifestecomoarte"><span>Inscreva-se</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Idolatria Silenciosa: Um Poema Interrompido]]></title><description><![CDATA[Nos anexos de Retrato das Sombras, a arqueologia de um fragmento salvo sobre a limer&#234;ncia e a neurodiverg&#234;ncia na terceira d&#233;cada de vida]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/idolatria-silenciosa-um-poema-interrompido</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/idolatria-silenciosa-um-poema-interrompido</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Tue, 30 Jun 2026 10:03:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JNRw!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F682ea941-ffef-4327-baca-fa113dec2ab1_5984x3264.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/682ea941-ffef-4327-baca-fa113dec2ab1_5984x3264.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/682ea941-ffef-4327-baca-fa113dec2ab1_5984x3264.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Idolatria Silenciosa
</strong>
O amor &#224;s vezes traz essa melancolia suspirosa 
Esse sorriso envelhecido embriagado de saudade 
Mesmo resignado &#224; condi&#231;&#227;o de idolatria silenciosa 
Condenado &#224; mais singela e remota possibilidade

E sinto ao viv&#234;-lo por essa ang&#250;stia suport&#225;vel 
A rude avidez com que assimila sua suavidade
E a Ternura
A brutalidade do
</pre></div><p></p><p><span>E assim aparece o impresso em meio &#224;s folhas manchadas do meu volume mais desgastado de </span><em><span>Retrato das Sombras</span></em><span>. Escrito entre os 20 e 29 anos, este poema interrompido foi considerado digno de ser salvo. O papel macerado revela dobras, puimentos, furos e a ferrugem de grampos que n&#227;o resistiram ao manuseio.</span></p><p><span>Talvez &#8212; e este talvez n&#227;o est&#225; embasado na mem&#243;ria, mas na minha l&#243;gica interna &#8212; o que o tenha salvado sejam as duas palavras que hoje se tornaram seu t&#237;tulo: </span><strong><span>idolatria silenciosa</span></strong><span>. Sim, o objeto limerente era precioso demais para ser descartado, mesmo em versos interrompidos.</span></p><p><span>Hoje o poema faz sentido mesmo em sua incompletude. &#201; o resguardo fossilizado do meu bem mais precioso, esteio de minha exist&#234;ncia. Sinto que atualmente  desloquei esse esteio inteiramente para uma felina cinzenta de olhos amarelos. E isso me causa um riso estranho e tranquilo, como o sono dela ao meu lado enquanto escrevo. Seus tr&#234;s quilos de ternura pulsando suavemente, sempre comigo. Segura o bastante ppara depois de seis anos me permitir acariciar sua barriga .</span></p><p><span>Mas eu ainda consigo embarcar nesse poema e navegar a ang&#250;stia suport&#225;vel que ele revela.</span></p><p></p><h3><strong><span>A Perspectiva Neurodivergente: A Intensidade do Processamento</span></strong></h3><p><span>Sob a lente da neurodiverg&#234;ncia, este poema revela a crueza de um processamento emoional hiperintenso. O afeto n&#227;o &#233; apenas sentido; &#233; analisado, categorizado e suportado como uma sobrecarga  f&#237;sica. H&#225; uma tentativa de autorregula&#231;&#227;o emocional atrav&#233;s da escrita: a mente busca racionalizar o afeto transformando-o em &#8220;idolatria silenciosa&#8221; &#8212; um ref&#250;gio seguro e contemplativo que evita o caos do contato social imprevis&#237;vel. A &#8220;rude avidez&#8221; com que a mente &#8220;assimila sua suavidade&#8221; descreve perfeitamente o funcionamento de um sistema sensorial/emocional &#225;vido por calmaria, mas que processa tudo na voltagem m&#225;xima.</span></p><p></p><h3><strong><span>A Cristaliza&#231;&#227;o e o Choque da Realidade</span></strong></h3><p><span>A aplica&#231;&#227;o da teoria da limer&#234;ncia de Dorothy Tennov a este fragmento revela o fen&#244;meno da cristaliza&#231;&#227;o em seu estado mais puro. O &#8220;objeto limerente&#8221; n&#227;o &#233; percebido em sua alteridade real, mas sim como uma entidade idealizada, justificando a &#8220;idolatria&#8221;. Na limer&#234;ncia, a mente se alimenta obsessivamente da reciprocidade idealizada, mesmo que baseada na &#8220;mais singela e remota possibilidade&#8221;. O eu l&#237;rico encontra-se no est&#225;gio de submiss&#227;o volunt&#225;ria ao ciclo de desejo e incerteza, onde a pr&#243;pria dor &#233; romantizada para manter o objeto ativo no imagin&#225;rio.</span></p><p><span>A ruptura f&#237;sica do poema , que termina abruptamente com dois versos claramente interrompidos revela o esgotamento, talvez, da  fantasia limerente. A limer&#234;ncia exige um isolamento ass&#233;ptico para prosperar; a intrus&#227;o da &#8220;brutalidade&#8221; &#8212; seja a rejei&#231;&#227;o expl&#237;cita, a indiferen&#231;a do objeto ou a crueza do mundo real &#8212; quebra o feiti&#231;o. A interrup&#231;&#227;o do poema cristaliza o exato milissegundo em que a arquitetura idealizada da limer&#234;ncia colide com a fric&#231;&#227;o do real. Seja porque o real exigiu aten&#231;&#227;o, seja porque o real quebrou a magia do momento com sua nudez estrutural amparada pela minha racionalidade.</span></p><p></p><h2><strong>Gostou desta reflex&#227;o?</strong> </h2><p>Inscreva-se para receber os pr&#243;ximos ensaios e an&#225;lises diretamente no seu e-mail. A assinatura gratuita garante que voc&#234; n&#227;o perca nenhum texto desta jornada pelo <em>Retrato das Sombras</em>. Se voc&#234; deseja apoiar ativamente a continuidade desta pesquisa e a minha produ&#231;&#227;o liter&#225;ria independente, considere se tornar um <strong>assinante pago</strong>. &#201; esse apoio que sustenta e viabiliza a profundidade deste espa&#231;o</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p><h2><strong>Apoie o meu trabalho liter&#225;rio:</strong> </h2><p>Voc&#234; pode fazer parte do sustento desta jornada adquirindo o meu livro mais recente, <strong>Abyssalia</strong>, publicado pela Editora Donizela. Deixe-se conduzir pelas correntes dessa produ&#231;&#227;o po&#233;tica e apoie diretamente uma autora independente. </p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Clique aqui para adquirir Abyssalia&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Clique aqui para adquirir Abyssalia</span></a></p><p></p><h2></h2><h2><strong>Vamos para uma outra frequ&#234;ncia?</strong> </h2><p>Deixe a melancolia suspirosa da juventude e migre comigo para outro espa&#231;o de autocria&#231;&#227;o. No meu canal do YouTube, expandimos essas investiga&#231;&#245;es est&#233;ticas e existenciais em formato audiovisual. Te espero l&#225; para darmos vaz&#227;o a essa for&#231;a misteriosa que nos move. </p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@manifestecomoarte&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Mude de frequ&#234;ncia&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@manifestecomoarte"><span>Mude de frequ&#234;ncia</span></a></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Engrenagem das Aparências e o Choque da Estrutura Nua]]></title><description><![CDATA[Um ensaio profundo sobre o choque entre a comunica&#231;&#227;o neurot&#237;pica e a autista, a ilus&#227;o da horizontalidade e o custo invis&#237;vel das conven&#231;&#245;es sociais."]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/engrenagem-das-aparencias-e-o-choque</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/engrenagem-das-aparencias-e-o-choque</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Sun, 28 Jun 2026 23:00:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IQM7!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fab521c35-af03-48df-8de3-fa869b0965c5_2850x5000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ab521c35-af03-48df-8de3-fa869b0965c5_2850x5000.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Inner core&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ab521c35-af03-48df-8de3-fa869b0965c5_2850x5000.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><h3>O Desencontro B&#225;sico da Comunica&#231;&#227;o</h3><p>Existe uma mec&#226;nica invis&#237;vel que rege as intera&#231;&#245;es cotidianas, como uma esp&#233;cie de politriz industrial que encera e pole as rela&#231;&#245;es humanas atrav&#233;s das conven&#231;&#245;es sociais. Para a maioria, esse lubrificante feito de meias-verdades, roteiros impl&#237;citos e desculpas frouxas &#233; o oxig&#234;nio da conviv&#234;ncia. No entanto, quando uma mente que opera na literalidade e na busca por coer&#234;ncia estrutural entra nesse cen&#225;rio, o choque &#233; inevit&#225;vel. O que o mundo chama de &#8220;jogo de cintura&#8221;, para mim, soa como um ru&#237;do intoler&#225;vel na arquitetura l&#243;gica das coisas.</p><p></p>
      <p>
          <a href="https://www.oryannaborges.com/p/engrenagem-das-aparencias-e-o-choque">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cessar Repentino: O poema riscado e a dissecação da autofagia]]></title><description><![CDATA[Uma an&#225;lise profunda do poema "Cessar Repentino", abordando a hipervigil&#226;ncia neurodivergente, a hiperseletividade na limer&#234;ncia e o manuscrito riscado como autodefesa.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/cessar-repentino-o-poema-riscado</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/cessar-repentino-o-poema-riscado</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Fri, 26 Jun 2026 00:01:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!kBvU!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8a80a461-50bc-4c61-b1f5-dceeac44b760_2850x5000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8a80a461-50bc-4c61-b1f5-dceeac44b760_2850x5000.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Inner Core_3&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8a80a461-50bc-4c61-b1f5-dceeac44b760_2850x5000.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Cessar Repentino
</strong>
Vou embora agora
Enquanto partir &#233; op&#231;&#227;o
Quando pressinto o fim
J&#225; digo adeus a cada hora
E n&#227;o suporto essa consumi&#231;&#227;o
Melhor o cessar repentino
Como se eu n&#227;o soubesse a que vim
Nem me importasse o meu destino.</pre></div><p></p><h3>Autodefesa e Autofagia</h3><p>A jornada sobre os poemas limerentes em <em>Retrato das Sombras</em> acabou. Eu acho. N&#227;o tenho certeza, porque n&#227;o fiz anota&#231;&#245;es e j&#225; detectei poemas analisados duplamente. Mas, enfim, a an&#225;lise da cogni&#231;&#227;o autista e da limer&#234;ncia na minha poesia ainda n&#227;o terminou. Na verdade, um dos volumes de <em>Retrato das Sombras</em> &#8212; tr&#234;s encadernados em espiral, impressos em gr&#225;ficas em um tempo em que isso era caro &#8212; guarda algumas surpresas.</p><p>Tenho em m&#227;os um desses volumes. Ele est&#225; maltratado, entregue &#224; umidade de algum canto dos meus guardados, cheio de folhas manuscritas que fui grampeando ao longo dos anos. Ali coexistem vers&#245;es originais de poemas antigos, como o <em>Soneto de Infidelidade</em> e <em>Aus&#234;ncia</em>, e registros do come&#231;o de um novo ciclo em minha vida. Relendo essas p&#225;ginas, percebo um aprendizado muito mais pr&#225;tico e cru.</p><p>Aos 20 e poucos anos, eu era uma jovem que rec&#233;m havia escapado de um relacionamento de mais de quatro anos marcado por abusos financeiros, psicol&#243;gicos e sexuais. Aquela rela&#231;&#227;o, no fundo, tinha sido uma esp&#233;cie de blindagem social que criei para me proteger do mundo. Quando fugi dali, me vi subitamente livre, menos alvo dos apetites alheios, mas diante de um desafio in&#233;dito: viver os relacionamentos reais de forma pr&#225;tica, sem escudos, buscando a sa&#250;de e n&#227;o apenas a prote&#231;&#227;o.</p><p>Mas as defesas de quem sobreviveu ao abuso n&#227;o desaparecem da noite para o dia. Elas mudam de forma. Aprendendo a ler os c&#243;digos sociais do mundo, minhas linhas de fuga se refinaram atrav&#233;s de flertes e come&#231;os que quase nunca se concretizavam, barrados por uma antecipa&#231;&#227;o cr&#244;nica do fim. &#201; dessa &#233;poca de transi&#231;&#227;o que nasce este pequeno poema, sem data, mas com endere&#231;o certo na minha hist&#243;ria.</p><p>A vers&#227;o que acabou sendo publicada na era do Orkut terminava exatamente ali, no &#8220;meu destino&#8221;. Olhando para ele hoje, percebo que o poema opera em tr&#234;s camadas distintas de sobreviv&#234;ncia:</p><h4> A Vis&#227;o Liter&#225;ria: A Escrita da Autofagia</h4><p>Formalmente, &#8220;Cessar Repentino&#8221; &#233; um poema de acelera&#231;&#227;o. O ritmo dita o passo de quem j&#225; est&#225; de malas prontas. O eu l&#237;rico vive no futuro do pret&#233;rito da rejei&#231;&#227;o.</p><p>Ao rimar &#8220;op&#231;&#227;o&#8221; com &#8220;consumi&#231;&#227;o&#8221;, o texto estabelece o custo da perman&#234;ncia. E a palavra consumi&#231;&#227;o, aqui, ganha o seu sentido mais visceral: ela n&#227;o &#233; preda&#231;&#227;o, o outro n&#227;o est&#225; mais devorando. Trata-se de uma autofagia. &#201; o ato de consumir-se a si mesma na engrenagem de uma paix&#227;o, de uma aus&#234;ncia ou de uma dor. O &#8220;cessar repentino&#8221; &#233; o corte cir&#250;rgico necess&#225;rio para interromper esse processo de autodestrui&#231;&#227;o.</p><p>O pr&#243;prio poema declara certo autoconhecimento que evidencia ser uma medida conhecida. O cessar repentino &#233; uma extens&#227;o emocional das fugas reais j&#225; efetivadas: de casa aos 13 anos, do relacionamento aos 20. Um mecanismo de defesa j&#225; consolidado e &#237;ntimo.</p><p></p><h4>A Sombra do Objeto Limerente: A &#194;ncora do Poss&#237;vel</h4><p>O objeto limerente n&#227;o &#233; citado, mas a sua presen&#231;a invis&#237;vel dita as regras do jogo. Naquela faixa dos 20 anos, ele era uma constante muito viva, moldada a partir de uma pessoa real e jovem. Ele n&#227;o habitava o plano do imposs&#237;vel m&#237;stico, mas a categoria dos poss&#237;veis vi&#225;veis. Havia uma probabilidade matem&#225;tica de acontecer, e esse &#8220;quase&#8221; dava a ele uma for&#231;a brutal.</p><p>Esse ideal funcionava como uma &#226;ncora de abordagem racional e hiperseletividade. Diante de um flerte real no mundo &#8212; que dava trabalho, exigia negocia&#231;&#227;o e ativava gatilhos de trauma &#8212;, a mente calculava os riscos e recuava. Para que tolerar a autofagia e o desgaste de um in&#237;cio real se o mundo da imagina&#231;&#227;o oferecia um ref&#250;gio perfeitamente seguro, vi&#225;vel e sob controle? O objeto limerente justificava o adeus preventivo de &#8220;Cessar Repentino&#8221;, mantendo o padr&#227;o afetivo num patamar onde o mundo real n&#227;o podia machucar. N&#227;o muito, pelo menos.</p><h4>A Perspectiva Neurodivergente: A Hipervigil&#226;ncia Cognitiva</h4><p>Para uma mente neurodivergente, que processa est&#237;mulos e intera&#231;&#245;es com uma carga sensorial e emocional amplificada, o verso <em>&#8220;Quando pressinto o fim j&#225; digo adeus a cada hora&#8221;</em> &#233; a pura express&#227;o do mapeamento de padr&#245;es e da ansiedade de separa&#231;&#227;o. &#201; a hipervigil&#226;ncia ativada: a leitura obsessiva de micro-sinais de rejei&#231;&#227;o para n&#227;o ser pega desprevenida.</p><p>A evita&#231;&#227;o de demanda e a exaust&#227;o social fazem com que o t&#233;rmino lento seja insuport&#225;vel. Em vez de passar pelo desgaste neurot&#237;pico de discutir, ponderar ou ver o v&#237;nculo ruir aos poucos, a mente prefere o colapso controlado &#8212; o corte abrupto que preserva a integridade do sistema central.</p><h4>O que as rasuras escondem</h4><p>O que mais me fascina no texto original, contudo, s&#227;o as linhas que risquei e descartei na vers&#227;o final. Abaixo do ponto final, o l&#225;pis tentou continuar:</p><blockquote><p><em>fingir n&#227;o haver ressentimento</em> <em>tem bem mais dignidade</em> <em>do que fingir n&#227;o ver o abismo</em></p></blockquote><p>E, logo atr&#225;s, garranchos fortes e quase ileg&#237;veis tentavam desenhar uma explica&#231;&#227;o:</p><blockquote><p><em>&#8220;o fim tr&#225;gico se precipita. Meu Humor n&#227;o suporta...&#8221;</em></p></blockquote><p></p><p></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6b1e98f3-a7bf-4289-8814-93ad2fc621a5_900x1600.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6b1e98f3-a7bf-4289-8814-93ad2fc621a5_900x1600.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><p>Ali, a poesia havia terminado. O que estava escrito sob as rasuras com for&#231;a j&#225; n&#227;o era arte; era justificativa. Era a urg&#234;ncia da mulher real tentando sustentar a decis&#227;o de ir embora, envelopando o medo do abismo com a palavra dignidade.</p><p>A poesia limpa me deu a intui&#231;&#227;o de sair enquanto partir ainda era uma escolha. As linhas riscadas foram o rascunho da engenharia psicol&#243;gica que eu precisava criar para me convencer de que interromper a autofagia era a &#250;nica forma de continuar inteira.</p><p></p><h4>Fa&#231;a parte do ecossistema (Assinaturas Gratuitas e Pagas)</h4><p>Se este exerc&#237;cio de arqueologia mental, autismo e poesia faz sentido para voc&#234;, que tal acompanhar os pr&#243;ximos passos de perto?</p><ul><li><p><strong>Para novos leitores:</strong> Cadastre o seu e-mail gratuitamente para receber os ensaios e poemas semanais direto na sua caixa de entrada, sem o filtro ou a interfer&#234;ncia dos algoritmos.</p></li><li><p><strong>Para quem deseja ir al&#233;m:</strong> Este post &#233; aberto a todos, mas a manuten&#231;&#227;o deste ref&#250;gio, o tempo de escrita e a pesquisa dependem dos <strong>assinantes pagos</strong>. 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Se voc&#234; deseja apoiar o meu trabalho de forma direta e mergulhar na materializa&#231;&#227;o dessas tecnologias de sobreviv&#234;ncia, conhe&#231;a o meu livro de poemas.</p><p><strong>Abyssalia</strong> &#233; o registro f&#237;sico dos abismos que organizei em palavras. </p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Adquira Abyssalia&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Adquira Abyssalia</span></a></p><p></p><h4>O Outro Vi&#233;s: Heteron&#237;mia e Sombra </h4><p>A escrita que habita esta p&#225;gina &#233; apenas uma das minhas faces. Existe um outro lado, um outro aspecto onde a palavra veste uma nova m&#225;scara e assume a sua pr&#243;pria heteron&#237;mia atrav&#233;s da imagem, do som e da autocria&#231;&#227;o.</p><p>Se voc&#234; tem coragem de olhar para o vi&#233;s oculto da cria&#231;&#227;o e quer descobrir o que acontece quando a arte deixa de ser apenas texto e se torna presen&#231;a viva...</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@manifestecomoarte&quot;,&quot;text&quot;:&quot;O Manifesto Oculto&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@manifestecomoarte"><span>O Manifesto Oculto</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Profundidade: Limerência, recortes de revista e o medo do real]]></title><description><![CDATA[Uma an&#225;lise autoetnogr&#225;fica sobre como a poesia e um objeto limerente se tornaram uma engenharia sofisticada de sobreviv&#234;ncia nos anos 90]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/profundidade-limerencia-recortes</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/profundidade-limerencia-recortes</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Tue, 23 Jun 2026 10:04:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!1iyX!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fae1d02a8-5bbd-4626-a3f8-e1f063d41823_2850x5000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ae1d02a8-5bbd-4626-a3f8-e1f063d41823_2850x5000.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Inner Core&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ae1d02a8-5bbd-4626-a3f8-e1f063d41823_2850x5000.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Profundidade</strong>
Essa dor que obscuresce teu Olhar
&#201; sem d&#250;vida semelhante &#224; minha
&#201; por onde minha alma caminha
Quando me esque&#231;o a te admirar

Esse teu sil&#234;ncio de estremecer
&#201; id&#234;ntico &#224; minha amargura
Entala na garganta tal a espessura
Mas desliza nos dedos ao escrever</pre></div><p></p><h3>O Espelho Oculto: Limer&#234;ncia, Recortes de Revista e o Medo do Real</h3><p>Nos anos 90, a proximidade com aquilo que nos fascinava tinha uma densidade material e secreta. N&#227;o havia algoritmos ou feeds infinitos; o objeto da nossa obsess&#227;o &#8212; ou, para usar um termo preciso, o nosso objeto limerente &#8212; precisava ser colecionado e arquivado manualmente.</p><p>Eu me lembro da urg&#234;ncia secreta de colecionar biografias, de recortar e salvar cada imagem poss&#237;vel, e at&#233; do descaramento t&#237;mido de arrancar p&#225;ginas de revistas em consult&#243;rios m&#233;dicos. Tudo era guardado em um espa&#231;o de quase-clandestinidade. Havia uma vergonha em ser flagrada naquele estado de paix&#227;o absoluta.</p><p>Na semana passada, quando analisamos o poema Dois, essa busca pela conex&#227;o com o real estava nas entrelinhas. Me conectar ao ser humano real que inspirou meu objeto limerente era uma forma de valida&#231;&#227;o do sentimento. Mas tamb&#233;m uma linha de fuga permanente: o medo terr&#237;vel de que a proximidade real desmanchasse o ancoradouro. E quanto mais real ele fosse, mais eu teria que lidar com os desfechos reais de uma vida que n&#227;o seguia paralela &#224; minha. Evitar o sujeito real passou a ser uma forma de controlar a ansiedade, o ci&#250;me e o medo. O que, a meu ver, comprova o quanto este objeto limerente se dissociava do mundo para me sustentar na voragem. Se a realidade tocasse o mito, o mundo secreto constru&#237;do em torno dele colapsaria, deixando-me sem suporte m&#237;nimo.</p><p>Neste poema, o outro n&#227;o &#233; um fim em si mesmo, mas um espelho de valida&#231;&#227;o. O eu l&#237;rico projeta no olhar e no sil&#234;ncio daquela figura distante a sua pr&#243;pria dor, a sua pr&#243;pria solitude e a sua amargura. Era de um espelho assim que eu precisava na &#233;poca: algu&#233;m que legitimasse o peso do que eu sentia por dentro, sem que eu precisasse verbalizar.</p><p>O sil&#234;ncio do outro &#8220;entalava na garganta&#8221;, ganhava a espessura de um n&#243; f&#237;sico. Mas o poema guarda uma esp&#233;cie de salva&#231;&#227;o pela metalinguagem. Quando a realidade se torna perigosa ou sufocante demais para ser habitada, a escrita surge como o &#250;nico territ&#243;rio seguro. A dor que paralisa o corpo &#233; a mesma que &#8220;desliza nos dedos ao escrever&#8221;.</p><p>Creio que o objeto limerente, como parte de uma engenharia sofisticada de sobreviv&#234;ncia, foi o primeiro tradutor, o primeiro a mediar a transcri&#231;&#227;o do sentimento bruto e brutal para a linguagem escrita. Ou seja, para a escrita se tornar minha tecnologia assistiva, eu precisava passar por ele. Se ele ainda me atravessa, mesmo que de maneira sutil, em parte &#233; porque embarca nessa imensa gratid&#227;o que sinto pelo tempo que estivemos juntos, mesmo que separados. A apenas uma mente de dist&#226;ncia.</p><p></p><p></p><h4>Se este espa&#231;o e essa &#8220;engenharia de sobreviv&#234;ncia&#8221; ressoam com voc&#234;, que tal dar o pr&#243;ximo passo?</h4><ul><li><p><strong>Se voc&#234; ainda n&#227;o &#233; inscrito:</strong> Deixe seu e-mail abaixo para receber os pr&#243;ximos poemas e ensaios direto na sua caixa de entrada, sem depender de algoritmos.</p></li><li><p><strong>Se voc&#234; j&#225; l&#234; gratuitamente e quer apoiar esta produ&#231;&#227;o independente:</strong> Considere se tornar um <strong>assinante pago</strong>. 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A decodifica&#231;&#227;o de um canto que nasceu inteiro]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/a-doutrina-dos-contrarios-processo</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/a-doutrina-dos-contrarios-processo</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Sun, 21 Jun 2026 23:02:01 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9h33!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F402d4852-5200-4ef8-9871-ef57791eb177_4900x8594.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/402d4852-5200-4ef8-9871-ef57791eb177_4900x8594.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;A senhora dos opostos&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;Pintura a &#243;leo em estilo barroco com ilumina&#231;&#227;o dram&#225;tica em chiaroscuro, inspirada em Rembrandt. Uma mulher enigm&#225;tica, de olhar expressivo e profundo, veste um longo v&#233;u preto que cobre parcialmente seus cabelos e trajes opulentos de veludo carmim e negro. Suas m&#227;os e punhos est&#227;o completamente cobertos por uma pasta fosca de carv&#227;o preto, que acentua as dobras, falanges e a textura anat&#244;mica da pele, terminando de forma org&#226;nica e esfuma&#231;ada logo acima do pulso. Seus bra&#231;os est&#227;o erguidos em uma postura imponente e teatral de dan&#231;a.&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/402d4852-5200-4ef8-9871-ef57791eb177_4900x8594.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><h1><strong>Bastidores: A Doutrina dos Contr&#225;rios, a Alquimia da F&#234;nix e o Fazer a Alma</strong></h1><p>Queridos assinantes,</p><p>O texto que voc&#234;s ler&#227;o agora marca a estreia de uma nova fase nesta se&#231;&#227;o, que agora se expande e se consolida sob o t&#237;tulo de <strong>A Senhora dos Opostos:  A Doutrina dos Contr&#225;rios,</strong> a segunda parte ou a continua&#231;&#227;o de Pers&#233;fone em Hades. Suponho que seja uma regalia, porque sou apaixonada pelos processos tanto quanto pelas obras e acredito que todos partilham do mesmo interesse pelo modo como as coisas se fazem, ou nos obrigam a faz&#234;-las. Este ser&#225; o segundo poema de uma obra imaginada h&#225; oito anos, quando Pers&#233;fone em Hades foi finalizado,  e  responde uma pergunta crucial sobre a jornada de Pers&#233;fone no submundo ( a minha Pers&#233;fone, claro): o que fazer na superf&#237;cie tendo consci&#234;ncia plena de quem se &#233;, da pr&#243;pria dualidade? Assim, a reflex&#257;o que se segue sobre o processo de escrita do poema &#233; tamb&#233;m uma reflex&#227;o sobre a vida, sobre a autocria&#231;&#227;o e sobre a percep&#231;&#227;o neurodivergente do mundo.</p><p>Sempre encarei o processo criativo como uma tradu&#231;&#227;o de c&#243;digos. Sempre senti o poema existindo dentro de mim em um estado n&#227;o verbal; ele habita o corpo na forma de imagens, sensa&#231;&#245;es e uma esp&#233;cie de eletricidade que confundimos facilmente com excita&#231;&#227;o, euforia ou ansiedade. O meu trabalho como escritora &#233; transcrever essa mat&#233;ria bruta para o c&#243;digo da linguagem escrita e, como uma voraz leitora de dicion&#225;rios, minha rela&#231;&#227;o com a palavra &#233; de infinita curiosidade.</p><p>&#201; por meio dessa rela&#231;&#227;o com as palavras que o nosso vocabul&#225;rio n&#227;o supre mas o nosso sentir exige a express&#227;o , que este poema,  postado ao fim do texto, acaba de me revelar que a intui&#231;&#227;o criativa opera por caminhos misteriosos, interconectados e altamente conscientes.</p><h3><strong>A Teia das Obras: Calcina&#231;&#227;o, Pers&#233;fone e o Voo Abissal</strong></h3><p>Curiosamente, ao olhar para este novo poema, percebi que a minha mente n&#227;o estava inventando um territ&#243;rio do zero; ela estava respondendo a um chamado antigo. Anos atr&#225;s, escrevi o poema <em>F&#234;nix</em>, que j&#225; havia sido definido como uma parte contundente e um norte po&#233;tico para a estrutura de <em>Se</em>nhora dos Opostos h&#225; alguns dias<em>.</em> &#201; dele o verso : <em>&#8220;tenho unhas negras de entalhar sonhos no carv&#227;o&#8221;</em>.  O estudo da psicologia alquimica trouxe estes versos  para o centro da constru&#231;&#227;o da obra Senhora dos opostos, criando uma m&#237;tica pr&#243;pria para esta misteriosa dama.</p><p>H&#225; uma alquimia profunda que une esse passado ao presente. O carv&#227;o das unhas negras pertence &#224; fase da <strong>calcina&#231;&#227;o</strong>&#8212; aquele est&#225;gio alqu&#237;mico onde o fogo reduz a mat&#233;ria &#224; sua ess&#234;ncia  purificada. &#201; desse res&#237;duo de fogo, desse carv&#227;o da dor, que Pers&#233;fone se esculpe e emerge soberana.</p><p>A figura m&#237;tica da F&#234;nix ressurge de forma absolutamente natural neste poema in&#233;dito, <em>&#8220;I Wish You Were Here&#8221;</em>. Mas ela n&#227;o vem sozinha: traz consigo uma imag&#233;tica densa, um clima de espectros e resson&#226;ncias que cria um elo imediato, uma ponte direta com o universo do meu livro <em>Abyssalia, </em>onde o poema  f&#234;nix  fez seu pouso definitiv<em>o. </em>Isso me deu uma certeza arrebatadora: as obras po&#233;ticas n&#227;o s&#227;o ilhas isoladas. Elas se chamam, se buscam, se respondem e se complementam atrav&#233;s do tempo. Elas narram, exatamente como Pers&#233;fone EM Hades  se prop&#245;e: poemas que existem e expressam sozinhos e poemas que juntos narram uma met&#225;fora existencial, uma hist&#243;ria.  </p><h3></h3><h3><strong>A Faca de Dois Gumes: Limer&#234;ncia, Neurodiverg&#234;ncia e Territ&#243;rio</strong></h3><p><em>I Wish you were here</em>, o poema, nasceu de uma ecolalia musical. N&#227;o &#233; de hoje que a heterofonia me suporta: percebo que meu canto pega carona no canto alheio para me dizer de sentimentos que a alexitimia n&#227;o me permite detectar de imediato. E s&#227;o semanas de um sentir alien&#237;gena , em doses homeop&#225;ticas,  na forma de uma can&#231;&#227;o. <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rSkUT71URBc">I wish you were here</a></em>, do Bee Gees, pela primeira vez desde a detec&#231;&#227;o desse meu padr&#227;o operacional, trouxe a infiltra&#231;&#227;o do objeto limerente pelas brechas do sofrimento real. Literalmente pelas trincas. E o sentimento que geralmente me trancava num canto escuro no qual eu podia fugir para mundo da imagina&#231;&#227;o, desta vez me serviu de porta para o esclarecimento. Ler os padr&#245;es, decodificar os sinais e perceber para onde os meus passos caminhavam me permitiu escrever  uma esp&#233;cie de contra-ataque emocional: usei a poesia para retomar o controle do meu pr&#243;prio territ&#243;rio.</p><p>Essa busca por um esteio em um amor que, de fato, n&#227;o existe na realidade &#233; um mecanismo &#237;ntimo instaurado muito cedo.  Essa fuga se d&#225; justamente em momentos de grande crise e sofrimento severo. Funciona como um ref&#250;gio de autorregula&#231;&#227;o ou uma compensa&#231;&#227;o neurol&#243;gica pela dor, o que mostra a intensidade e a necessidade desse &#8220;farol&#8221; criado em torno do objeto limerente.</p><p>&#201; aqui que a psicologia da mente neurodivergente se desvela: existe uma necessidade visceral de buscar uma &#8220;pessoa de conforto&#8221; no momento da crise. No entanto, essa mesma pessoa de conforto pode ser o estopim para uma crise ainda maior, uma deriva profunda em rela&#231;&#227;o &#224; pr&#243;pria vida se for um objeto limerente. </p><p>O sofrimento, portanto, &#233; uma faca de dois gumes: ele pode abrir um al&#231;ap&#227;o para a fuga alienante da realidade ou pode se tornar um portal para um entendimento maior. E com o entendimento, vem a retomada do poder. </p><p></p><h3><strong>Daqui para frente, apenas a soberania do canto.</strong></h3><p>At&#233; aqui, voc&#234; testemunhou a arqueologia do processo. Para destravar o <strong>poema in&#233;dito</strong> <em>&#8220;I Wish You Were Here&#8221;</em> &#8212; o segundo canto da Doutrina dos Contr&#225;rios &#8212; e ter acesso exclusivo &#224; teia completa que une calcina&#231;&#227;o, Pers&#233;fone e o voo de <em>Abyssalia</em> no verso de um caderno hist&#243;rico, mude para a assinatura paga agora.</p><p><strong>Recupere seu territ&#243;rio por meio da poesia.</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p>
      <p>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Quando a Mente Autista Não Sustenta a Voltagem: O Medo do Real e “Esse Desconhecido, o Amor”]]></title><description><![CDATA[Descubra o poema 'Di&#225;logo' e um ensaio visceral sobre o autismo, limer&#234;ncia e o medo profundo de materializar o amor real. Uma jornada de autopreserva&#231;&#227;o e escrita.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/quando-a-mente-autista-nao-sustenta</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/quando-a-mente-autista-nao-sustenta</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Thu, 18 Jun 2026 10:04:09 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!iw7M!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F11ce4333-af7e-4d0c-8e3f-501e1672598e_2850x5000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>

Di&#225;logo</strong>

Teu olhar me fala na quietude 
Das emo&#231;&#245;es que desejo viver 
E eu no ensejo de me defender
Grito que teu olhar me ilude

Teu olhar me cala no tumulto 
Me enfrentando com ternura
E eu recuso toque de loucura 
Assustada afastando o teu vulto.

Teu olhar me guia na incerteza 
Me oferece alegria de ter rumo 
E eu toda tua d&#225;diva consumo 
Na chama fria da fraqueza.
</pre></div><h1><strong>Quando a M</strong></h1><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/11ce4333-af7e-4d0c-8e3f-501e1672598e_2850x5000.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;A chama fria   &quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/11ce4333-af7e-4d0c-8e3f-501e1672598e_2850x5000.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><h1><strong>Quando a Mente Autista N&#227;o Sustenta a Voltagem: O Medo do Real e &#8220;Esse Desconhecido, o Amor&#8221;</strong></h1><p>Se o poema <a href="https://open.substack.com/pub/oryannaborges/p/versos-barbaros-a-limerencia-e-a?r=52ey5n&amp;utm_campaign=post-expanded-share&amp;utm_medium=web">&#8220;Dois&#8221;</a> documenta o mart&#237;rio da fragmenta&#231;&#227;o e o desejo qu&#237;mico de fus&#227;o absoluta, o poema &#8220;Di&#225;logo&#8221; &#8212; resgatado do mesmo caderno de juventude &#8212; funciona como o seu avesso psicol&#243;gico. Estamos diante de uma contradi&#231;&#227;o : a mesma jovem que sofria por <em>&#8220;seguirmos como dois&#8221;</em> &#233; a que agora recua, ergue os escudos e decreta: <em>&#8220;recuso o toque de loucura / assustada afastando o teu vulto&#8221;</em>. Sob o teto da neurodiverg&#234;ncia, esse recuo n&#227;o &#233; covardia; &#233; uma estrat&#233;gia rigorosa de preserva&#231;&#227;o de estruturas.</p><h3><strong>O Embate entre a Blindagem Social e o Santu&#225;rio Limerente</strong></h3><p>Naquela janela entre os 14 e os 20 anos, a vida exigia pragmatismo. Como mecanismo de mascaramento e blindagem social, relacionamentos reais e pr&#225;ticos foram constru&#237;dos. Havia afeto neles &#8212; afinal, a porosa hiperempatia autista jamais permitiria o oposto &#8212;, mas havia tamb&#233;m um fantasma permanente. Viver o afeto tang&#237;vel da terra firme carregava um gosto amargo de trai&#231;&#227;o latente contra o objeto limerente, aquele esteio imagin&#225;rio fundado na crise dos 14 anos.</p><p>&#8220;Di&#225;logo&#8221; encena exatamente esse tribunal interno entre a raz&#227;o e a emo&#231;&#227;o. O &#8220;olhar&#8221; do objeto limerente convida &#224; entrega, mas a raz&#227;o imediatamente o repele, carimbando-o como farsa (<em>&#8220;grito que teu olhar me ilude&#8221;</em>). Havia uma r&#233;gua cruel operando na surdina: a autocr&#237;tica impiedosa que me rotulava como &#8220;fraca&#8221; por n&#227;o ter a coragem de cruzar a linha e vivenciar aquele amor de fato. O que a jovem poeta n&#227;o entendia &#233; que aquela suposta fraqueza, na verdade, era o instinto de sobreviv&#234;ncia do seu pr&#243;prio ecossistema mental.</p><h3><strong>O Outro Mutante e a Insufici&#234;ncia de Dados</strong></h3><p>&#201; aqui que a fia&#231;&#227;o autista se choca com a m&#237;stica do romance. Para uma mente que necessita de previsibilidade, ordem e mapas cognitivos est&#225;veis para mitigar a sobrecarga do mundo, o ser humano real &#233; um terreno perigoso. N&#243;s somos seres mutantes; mudamos de pele, de humor e de inten&#231;&#227;o a cada amanhecer. Lidar com o Outro na materialidade exige uma dan&#231;a de decodifica&#231;&#227;o social exaustiva.</p><p>Esta ang&#250;stia central ecoa perfeitamente nos versos da can&#231;&#227;o de Paulo Ricardo e Marcos Valle que assombravam aquele per&#237;odo:</p><blockquote><p><em>&#8220;Talvez se n&#243;s tiv&#233;ssemos fugido / E ouvido a voz desse desconhecido, o amor...&#8221;</em></p></blockquote><p>O amor, no mundo concreto, &#233; o grande desconhecido. Ele exige apostar alto sem ter dados suficientes. Exige o risco da rejei&#231;&#227;o e, pior, o risco da desilus&#227;o. A ideia de me aproximar da figura real que encarnava o meu mito limerente sempre me causou p&#226;nico. Se eu chegasse perto e descobrisse que aquela fisionomia  mais uma pintura minha imitando os maneirismos de Caravaggio do que uma realidade palat&#225;vel, toda a minha arquitetura interna desmoronaria. Eu precisava daquele farol aceso no escuro para continuar caminhando. N&#227;o se destr&#243;i o pr&#243;prio abrigo em nome de uma curiosidade terrena. E eu tinha uma tendencia inata para o auto aniquilamento da mat&#233;ria, mas nunca das ideias</p><h3><strong>A Especialista no Sofrimento e o Mito do Amor Tranquilo</strong></h3><p>H&#225;, no desfecho de &#8220;Di&#225;logo&#8221;, uma capitula&#231;&#227;o dolorosa: <em>&#8220;toda tua d&#225;diva consumo / na chama fria da fraqueza&#8221;</em>. A escolha deliberada por manter o afeto no plano et&#233;reo, intocado pelo caos da mat&#233;ria, revela uma fia&#231;&#227;o neurol&#243;gica que aprendeu a frui&#231;&#227;o do sofrimento, mas permanecia analfabeta na frui&#231;&#227;o da paz e do prazer de viver.</p><p>A can&#231;&#227;o de Cazuza me denuncia enquanto escrevo, na voz de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=m1ny5enknAc">C&#225;ssia Eller</a>  :</p><blockquote><p><em>&#8220;Eu quero a sorte de um amor tranquilo / Com sabor de fruta mordida...&#8221;</em></p></blockquote><p>Mas nunca tive a coragem de busc&#225;-lo. A calmaria, para quem cresceu regulando crises em sil&#234;ncio e sob o sobressalto da hipervigil&#226;ncia, parece um territ&#243;rio estrangeiro, quase suspeito. O sofrimento &#233; previs&#237;vel; a dor tem uma voltagem que eu sei manejar. Mas a tranquilidade de um afeto seguro exige baixar as armas &#8212; e baixar as armas para o autista, muitas vezes, parece um convite ao aniquilamento.</p><p>Ao preferir a &#8220;chama fria&#8221; do imagin&#225;rio &#224; imprevisibilidade do corpo vivo, a jovem poeta garantiu que o seu santu&#225;rio permanecesse intacto. O amor permaneceu desconhecido, sim, mas salvo da degrada&#231;&#227;o do tempo e da realidade. O poema termina, portanto, n&#227;o em fus&#227;o ou paz, mas em uma capitula&#231;&#227;o vulner&#225;vel, onde a d&#225;diva do outro &#233; queimada em uma paix&#227;o que n&#227;o aquece, apenas consome a si mesma. &#201; o registro l&#237;rico de quem, naquele momento da vida, n&#227;o conseguia sustentar a voltagem do pr&#243;prio desejo.</p><p>Sair daquele lugar seguro &#8212; tanto do isolamento interno quanto da blindagem social externa &#8212; para se arriscar no ch&#227;o ca&#243;tico do real atr&#225;s de um amor desconhecido era uma pane insuport&#225;vel no sistema. Simplesmente n&#227;o tinha como.</p><p>O paradoxo definitivo, contudo, surge d&#233;cadas depois: o que acontece quando o abrigo imagin&#225;rio come&#231;a a cobrar o seu aluguel em exaust&#227;o, e a mente &#233; finalmente for&#231;ada a recalibrar a pr&#243;pria fia&#231;&#227;o para n&#227;o submeter a realidade ao eterno fantasma do que poderia ter sido?</p><p>Ora, acontece um livro. Acontece <em>Pers&#233;fone em Hades</em>. Foi ali que decidi encerrar o ciclo de idas e vindas nessa minha academia sentimental imagin&#225;ria, recusando-me a ser ref&#233;m da ilus&#227;o e pavimentando o terreno para o nascimento de <em>Senhora dos Opostos</em>. Mas a transi&#231;&#227;o entre essas duas escolas e a mudan&#231;a dr&#225;stica no processo criativo &#233; uma travessia que exige o seu pr&#243;prio espa&#231;o. E retomaremos isso em breve. </p><p></p><h2><strong>Sustentar a Voltagem</strong></h2><p>Esta newsletter &#233; um espa&#231;o de autonomia, onde o olhar estrangeiro e a escrita dissidente mant&#234;m sua voltagem sem pedir licen&#231;a ou desculpas aos burocratas de plant&#227;o. Para continuar acompanhando essa arqueologia po&#233;tica e ter acesso aos pr&#243;ximos ensaios e poemas in&#233;ditos, convido voc&#234; a fazer parte desta comunidade.</p><p>Com a <strong>assinatura gratuita</strong>, voc&#234; garante seu lugar neste manancial de ideias. Com a <strong>assinatura paga</strong>, voc&#234; financia diretamente a independ&#234;ncia desta escritora e apoia a continuidade de um pensamento sem amarras.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p><h2><strong>Do Papel &#224; Mat&#233;ria</strong></h2><p>A autocria&#231;&#227;o liter&#225;ria &#233; o frasco onde contenho a intensidade, mas existe um portal onde essa for&#231;a transborda do papel para a manifesta&#231;&#227;o direta da realidade. </p><p>Se voc&#234; deseja decifrar o que acontece quando essa fia&#231;&#227;o oculta se manifesta na pr&#225;tica, clique abaixo e descubra por si mesmo.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@manifestecomoarte&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Manifestar Agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@manifestecomoarte"><span>Manifestar Agora</span></a></p><p></p><h2><strong>A Escrita das Mulheres e o Abismo</strong></h2><p>A poesia produzida por mulheres n&#227;o cabe nos r&#243;tulos f&#225;ceis do lirismo rom&#226;ntico ou menor; ela &#233; existencial, dura, neutra e humana. <strong>Abyssalia</strong> (2026), publicado pela Editora Donizela, &#233; a materializa&#231;&#227;o f&#237;sica dessa travessia &#8212; a arquitetura final de um sentir que sobreviveu &#224; margem.</p><p>Adquirir o livro &#233; mais do que acessar essa po&#233;tica; &#233; apoiar diretamente uma autora independente e fortalecer pequenas editoras dedicadas a publicar e divulgar a escrita das mulheres com a seriedade que ela exige.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/livros-1/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Adquirir Abyssalia na Editora Donizela&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/livros-1/abyssalia"><span>Adquirir Abyssalia na Editora Donizela</span></a></p><p></p><p></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/be695c51-bd78-433c-b9c6-f59dff92b997_4000x3000.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;BORGES, Oryanna. Abyssalia. 1&#170; ed. Curitiba: Editora Donizela, 2026. (Da esquerda para Andr&#233;ia Carvalho Gavita , Deisi Jaguatirica, Poeta e apresentadora do livro, que me representou no lan&#231;amento, e Artista que fez a capa do livro, Maristela Ono) &quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/be695c51-bd78-433c-b9c6-f59dff92b997_4000x3000.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p><em>.)</em></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Alquimia Psicológica e Mentiras Sociais: O Preço do Respeito]]></title><description><![CDATA[O Mundo Secreto une alquimia psicol&#243;gica e processos criativos para canalizar energia criativa e guardar o que o outro n&#227;o tem estofo para ouvir. Um ensaio epistolar sobre o real pre&#231;o do respeito.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/alquimia-psicologica-e-mentiras-sociais</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/alquimia-psicologica-e-mentiras-sociais</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Wed, 17 Jun 2026 10:03:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-MR7!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F00c3caf4-a67e-4685-811a-5457b662cfdd_2850x5000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/00c3caf4-a67e-4685-811a-5457b662cfdd_2850x5000.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;As mentiras frouxas da conven&#231;&#227;o social convenience &quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/00c3caf4-a67e-4685-811a-5457b662cfdd_2850x5000.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><h3>A Anatomia da Conven&#231;&#227;o Social</h3><p></p>
      <p>
          <a href="https://www.oryannaborges.com/p/alquimia-psicologica-e-mentiras-sociais">
              Read more
          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Versos Bárbaros: A Limerência e a Cisão Neurodivergente no poema "Dois"]]></title><description><![CDATA[Este ensaio autoetnogr&#225;fico disseca o poema "Dois", escrito na juventude, sob as lentes da limer&#234;ncia e da neurodiverg&#234;ncia. Dualidade, Mascaramento, busca por ref&#250;gio, trasnformados em identidade.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/versos-barbaros-a-limerencia-e-a</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/versos-barbaros-a-limerencia-e-a</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Tue, 16 Jun 2026 10:03:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!JR15!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d806b88-ec70-4f57-af1c-0ada9aab5490_3240x4320.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9d806b88-ec70-4f57-af1c-0ada9aab5490_3240x4320.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;18 anos&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9d806b88-ec70-4f57-af1c-0ada9aab5490_3240x4320.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Dois
</strong>
Quando ou&#231;o o murm&#250;rio da tua solid&#227;o 
me toma uma angustiada e louca &#224; vontade 
de ultrapassar as barreiras da sanidade 
e gritar com todo o clamor dessa emo&#231;&#227;o.

Estou aqui,  meu perfeito e doce amor. 
Estou te procurando na mesma agonia 
envolta nessa mesma solid&#227;o sombria 
sabendo que &#233;s a cura para minha dor. 

E tamb&#233;m resisto com todas as for&#231;as, 
fa&#231;o tudo visando encurtar as dist&#226;ncias 
que a vida impiedosamente nos imp&#244;s 

E n&#227;o sei se d&#243;i mais minha dor ou a tua.
Fervorosamente rezo a Deus,  ao sol,  &#224; lua, 
pois &#233; penoso demais seguirmos como dois.

</pre></div><p></p><p>Reler um texto antigo &#233; reler a si mesmo de uma outra perspectiva. &#201; o &#8220;olhar estrangeiro&#8221; promulgado por Claude L&#233;vi-Strauss como pr&#233;-requisito para o estudo antropol&#243;gico &#8212; e o qual me custou a vaga no doutorado na UFMG. Sim, eu fui reprovada na entrevista por causa de uma  nota m&#237;nima advinda de um dos membros da banca,  do qual eu ri quando ele apresentou esse aparato te&#243;rico para questionar meu projeto de pesquisa autoetnogr&#225;fico. O riso, decorrente de saber que o olhar autista &#233; sempre um olhar estrangeiro, n&#227;o caiu bem nos ouvidos do burrocrata da educa&#231;&#227;o. (Caso esteja vendo erro na grafia de alguma palavra desta frase, pe&#231;o a gentileza de ignorar. E se voc&#234; n&#227;o entendeu por que n&#227;o viu erro, bem-vindo ao senso de humor autista que me custou, talvez, o t&#237;tulo de doutora em neuroci&#234;ncias).</p><p></p><h3>Arqueologia Po&#233;tica e o Manancial Criativo</h3><p>Mas fato &#233;, caros leitores, que quando revisitamos escritos e versos guardados h&#225; d&#233;cadas &#8212; versos especialmente, por sua carga imag&#233;tica e propriedades de s&#237;ntese &#8212; frequentemente encontramos neles o fio de Ariadne que inevitavelmente nos conduziria a quem somos hoje. &#201; como se a intui&#231;&#227;o art&#237;stica operasse fora do tempo cronol&#243;gico. O poema <strong>&#8220;</strong>dois<strong>&#8221;</strong> &#233; um documento zero dessa natureza.</p><p>Embora a mem&#243;ria o ancore afetivamente no ano de 1997 &#8212; utilizando a can&#231;&#227;o hom&#244;nima de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=tYSDXRcI07Y">Paulo Ricardo e Marcos Valle </a>como um carbono-14 biogr&#225;fico &#8212;, a sensa&#231;&#227;o persistente de que os versos foram escritos antes da melodia revela um fen&#244;meno fascinante de sincronicidade. Trata-se do acesso direto &#224;quela &#8220;nuvem criativa&#8221; onde ideias e arqu&#233;tipos flutuam no &#233;ter antes de se materializarem no mundo real.</p><p>Para a jovem que aos 19 anos havia enterrado o sonho do desenho de moda diante de realidades financeiras inconcili&#225;veis, lidar com a frustra&#231;&#227;o de ver algu&#233;m aplicando ideias que considerava minhas, antes que eu pudesse materializ&#225;-las no universo fashion, me obrigou a fixar a rela&#231;&#227;o entre poema e can&#231;&#227;o. Quando a m&#250;sica <em>&#8220;Dois&#8221;</em> surgiu, me senti roubada. N&#227;o pelos compositores, mas por um mundo que deu a eles acesso ao mesmo manancial criativo e melhores condi&#231;&#245;es de exercer essa criatividade. Antes que a &#8220;nuvem&#8221; fosse um conceito de armazenamento virtual de dados, eu j&#225; me digladiava com ela como manancial de ideias.</p><p></p><h3>A G&#234;nese do Abrigo: O Tranco Neuroqu&#237;mico aos 14 Anos</h3><p>Apesar de escrito em 1997, a g&#234;nese desse processo recua ainda mais no tempo, fixando-se aos 14 anos de idade, no epicentro de uma crise autista camuflada. O nascimento do v&#237;nculo com o objeto limerente que este poema aborda ocorre no exato instante subsequente a um choro que hoje sei ser terap&#234;utico e regulador: o choro sem som, que distensiona e desperta m&#250;sculos do rosto ainda desconhecidos pela ci&#234;ncia em uma carranca de desespero. O colapso f&#237;sico no qual o grito fica preso na garganta &#233; tamb&#233;m um gargalo de autorregula&#231;&#227;o, e isso me fascina. Pois o poema tamb&#233;m  disp&#245;e dessa ambiguidade, pr&#243;pria da limer&#234;ncia, na qual o objeto limerente &#233; a cura para a dor, mas tamb&#233;m a sua causa. Para mim, considero o saldo positivo, pois, no fim das contas, o objeto limerente foi &#8212; como j&#225; dito tantas vezes nesta newsletter &#8212; minha &#226;ncora, meu esteio, meu farol, minha academia sentimental imagin&#225;ria.</p><p>Mas, no dia desta carranca, o encontro com uma imagem fotogr&#225;fica em um <em>chiaroscuro</em> que faria inveja a Caravaggio resultou em um tranco neuroqu&#237;mico de alto impacto. Diante de uma fisionomia artisticamente irreconhec&#237;vel na revista, os olhos funcionaram como um portal, e eu estive em outras dimens&#245;es, atravessei almas desavisadas e voltei para meu corpo como um fantasma de mim mesma, atormentada de susto e &#234;xtase. Naquele momento, o c&#233;rebro neurodivergente n&#227;o encontrou apenas um afeto rom&#226;ntico plat&#244;nico, mas edificou um abrigo seguro. O objeto limerente nasceu como um esteio imagin&#225;rio necess&#225;rio para organizar o caos de um mundo que se apresentava hostil e incompreens&#237;vel.</p><p></p><h3>A Dualidade como Norma e o Pujante Monstro em Mim</h3><p>Sob a lente da neurodiverg&#234;ncia, o primeiro verso &#8212; <em>&#8220;quando ou&#231;o o murm&#250;rio da tua solid&#227;o&#8221;</em> &#8212; deixa de ser um artif&#237;cio l&#237;rico e passa a documentar uma profunda hiperempatia e cont&#225;gio emocional. Minha mente porosa n&#227;o apenas compreendia o sofrimento; ela o absorvia somaticamente. O &#8220;murm&#250;rio&#8221; do objeto limerente gerava um eco f&#237;sico imediato, e eu mimetizava a experi&#234;ncia real de corporificar dores alheias at&#233; o limite do travamento f&#237;sico.</p><p>Essa intensidade gera uma inevit&#225;vel cis&#227;o existencial. Mas &#233; o di&#225;logo com o poema &#8220;Dualismo&#8221;, de Olavo Bilac, que ecoa essa mesma percep&#231;&#227;o de descompasso de forma mais esclarecedora. A sensa&#231;&#227;o de carregar no peito <em>&#8220;um dem&#244;nio que ruge e um Deus que chora&#8221;</em> denunciava o desenvolvimento pujante do &#8220;monstro em mim&#8221;. Para a crian&#231;a e a adolescente autista, na qual a dualidade era a norma seguida como mascaramento contumaz das pr&#243;prias dificuldades, escapar dos r&#243;tulos que definiam o seu sentir profundo como mero &#8220;drama&#8221; ou &#8220;confus&#227;o&#8221; era o prop&#243;sito maior para aprofundar a dualidade. Para essa jovem poeta, isso aprofundava a necessidade de um amor que representasse fus&#227;o absoluta, como contraponto.</p><p></p><h3>Versos B&#225;rbaros: A Geometria Org&#226;nica do Transbordamento</h3><p>O poema &#8220;Dois&#8221; traduz geometricamente a ang&#250;stia do isolamento atrav&#233;s de sua pr&#243;pria estrutura. Escrito intuitivamente com 14 versos &#8212; a anatomia exata de um soneto &#8212;, o texto dita seu ritmo atrav&#233;s do peso das palavras. O &#225;pice dessa tens&#227;o se manifesta no que a po&#233;tica classifica como versos b&#225;rbaros: as linhas finais, que rompem a m&#233;trica tradicional e se expandem para 13 s&#237;labas po&#233;ticas.</p><blockquote></blockquote><p>Esse transbordamento m&#233;trico ocorre precisamente quando a necessidade interna de extravasamento oblitera as regras. O verso se estica fisicamente no papel porque a dor n&#227;o cabe mais na margem. Isso, de certo modo, sanou minha revolta a respeito da nuvem criativa, o manancial que Paulo Ricardo e Marcos Valle acessaram ao mesmo tempo que eu. Minhas condi&#231;&#245;es talvez fossem desfavor&#225;veis, mas o produto final &#233; &#250;nico. Cada um usa o que absorve da nuvem criativa c&#243;smica &#224; sua maneira.</p><p></p><h3>Soberania da Intensidade e o Mart&#237;rio de Ser Dois</h3><p>O fecho do poema justifica o t&#237;tulo escrito por extenso. Ser &#8220;Dois&#8221; &#233; o mart&#237;rio da fragmenta&#231;&#227;o. Na perspectiva da limer&#234;ncia, busca-se a fus&#227;o absoluta para aplacar a abstin&#234;ncia qu&#237;mica; na perspectiva neurodivergente, busca-se o colapso do espa&#231;o entre as individualidades para finalmente descansar do esfor&#231;o monumental de existir e simular normalidade.</p><p>Hoje, mesmo que a figura real que deu origem a esse ser tenha sido desubstanciada e racionalmente afastada h&#225; d&#233;cadas, o instinto de buscar esse esteio antigo ainda permanece na fia&#231;&#227;o neurol&#243;gica como um mecanismo de fuga ativado em momentos de exaust&#227;o e viol&#234;ncia psicol&#243;gica externa. No entanto, o paradoxo atual &#233; definitivo. E como percebi isso? Outra ecolalia musical e um poema cuspido na semana passada. Mas isso &#233; assunto para outro dia. Aqui n&#227;o cabem dois poemas.</p><p>S&#243; o saber que a escrita, que outrora foi um frasco para conter a dor da separa&#231;&#227;o, permanece agora como o testemunho soberano de uma intensidade que n&#227;o precisa mais se desculpar por existir.</p><p>Viver plenamente exige aceitar a voltagem dos pr&#243;prios versos b&#225;rbaros.</p><p></p><p></p><p></p><h3>Para Sustentar a Voltagem</h3><p></p><p>O paradoxo do &#8220;objeto limerente&#8221; na fia&#231;&#227;o neurol&#243;gica ainda n&#227;o foi totalmente esgotado. H&#225; outra ecolalia musical ressoando e um novo &#8220;poema cuspido&#8221; aguardando o momento de transbordar a margem.</p><p>Para n&#227;o perder o pr&#243;ximo cap&#237;tulo desta arqueologia existencial, inscreva-se gratuitamente. Para acessar o que ainda n&#227;o cabe em dois poemas e mergulhar nas profundezas deste &#8220;monstro em mim&#8221;, considere a assinatura paga.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p><h1>Do Papel &#224; Mat&#233;ria</h1><p>A auto-cria&#231;&#227;o liter&#225;ria que voc&#234; leu aqui foi apenas o in&#237;cio da travessia. Aceitar a voltagem exige transbordar da escrita para a manifesta&#231;&#227;o da realidade.</p><p>Existe uma outra vers&#227;o minha, n&#227;o impressa em papel, operando em um manancial mais profundo </p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@manifestecomoarte&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Manifestar Agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@manifestecomoarte"><span>Manifestar Agora</span></a></p><p>. Toque no bot&#227;o abaixo e descubra por si mesmo.</p><p></p><p></p><h2>O Gabarito do Abismo</h2><p>Se este ensaio revelou os andaimes de uma juventude neurodivergente e limerente, <strong>Abyssalia</strong> &#233; a arquitetura final da maturidade desse sentir. O livro guarda as respostas que a jovem de dezenove anos n&#227;o tinha, mas traz consigo um mist&#233;rio ainda maior: qual foi o pre&#231;o real para dar forma ao abismo</p><p>Para apoiar diretamente a autonomia desta autora e ter acesso ao gabarito desta intensidade materializado em literatura, convido voc&#234; a conhecer e adquirir a obra na Editora.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Decifrar Abyssalia&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Decifrar Abyssalia</span></a></p><p>]</p><p></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/avif&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3994d795-5e80-408f-9630-2dbb146a7f19_498x680.avif&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Adentre o abismo: Abyssalia (2026), de Oryanna Borges. Dispon&#237;vel pela Editora Donizela. Apoie a literatura independente clicando abaixo&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/avif&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3994d795-5e80-408f-9630-2dbb146a7f19_498x680.avif&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Creme de Confeiteiro no Campo de Batalha: Crônica de um Burnout Autista]]></title><description><![CDATA[Um relato visceral sobre perimenopausa, invisibilidade m&#233;dica e o custo da excel&#234;ncia criativa no autismo adulto]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/o-creme-de-confeiteiro-no-campo-de</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/o-creme-de-confeiteiro-no-campo-de</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Sun, 14 Jun 2026 12:32:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!sZVs!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5c275a3e-5a26-47ae-b10c-c359646625cb_378x578.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5c275a3e-5a26-47ae-b10c-c359646625cb_378x578.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;O canva otimizou a foto apagando meus olhos! Ou ffoi o cabelo mesmo?&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5c275a3e-5a26-47ae-b10c-c359646625cb_378x578.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><h2><strong>Campo de Batalha e Comida de Conforto </strong></h2><p>Hoje pela manh&#227;, enquanto eu preparava o meu caf&#233; da manh&#227;, analisei como meu corpo estava e como ele receberia esse alimento. Eu me perguntava se o meu paladar conseguiria tomar aquele caf&#233; que, de costume, &#233; o meu primeiro prazer do dia. Ontem, por exemplo, n&#227;o foi poss&#237;vel nem sonhar com o cheiro maravilhoso de um caf&#233;, porque me dava n&#225;useas.</p><p>Refletindo sobre isso, voltei alguns meses atr&#225;s na minha hist&#243;ria, no momento em que, diante de uma m&#233;dica psiquiatra, levantei a possibilidade de, em 2020, ter passado por um Burnout autista que n&#227;o foi devidamente tratado e n&#227;o foi devidamente assumido pela ci&#234;ncia e pela medicina. Eu sempre me pergunto, quando vem essa quest&#227;o e quando v&#234;m as quest&#245;es que derrubam o meu corpo: existe uma forma de resetar o meu corpo?</p><p>Parece que ele entrou em um modo de sobreviv&#234;ncia no qual n&#227;o diferencia um pequeno contratempo de um grande desgaste ou um grande sofrimento. Tudo &#233; motivo para chegar no limite do sofrimento, que &#233; a enxaqueca. Eu tenho convivido com isso desde 2020. Aquela m&#233;dica, na ocasi&#227;o, disse ativamente &#8212; sem me deixar concluir o racioc&#237;nio &#8212; que n&#227;o achava que era isso. Me deu uma li&#231;&#227;o de moral, comparou o meu sofrimento a um &#8220;cortezinho&#8221;, enquanto l&#225; fora existiam pessoas com &#8220;bra&#231;os quebrados&#8221;. Me comparou a um esquizofr&#234;nico surtando na sala de espera, dizendo que este, sim, seria uma emerg&#234;ncia e eu n&#227;o.</p><p>Ela se recusou a rever minha medica&#231;&#227;o, mesmo aquela que estava dificultando minha vida como uma pessoa que tem alexitimia. Se voc&#234; toma uma medica&#231;&#227;o comum para depress&#227;o como a sertralina , o efeito colateral mais comum &#233; o embotamento emocional. Essa anestesia afetiva &#233; extremamente prejudicial para quem tem dificuldade de compreender os pr&#243;prios sentimentos. A capacidade de sentir, al&#233;m do &#243;bvio conhecimento sobre gostar disso ou daquilo, est&#225; vinculada a rea&#231;&#245;es vitais no conv&#237;cio social. Eu j&#225; passei horas em uma sala de aula processando um desconforto alienigena que misturava vergonha, desrespeito do outro, abuso emocional, mas que na complexidade de tudo eu n&#227;o sabia processar e elaborar uma ideia clara sobre o ocorrido. Regir e defender-se  torna-se imposs&#237;vel quando um processo que j&#225; &#233; prec&#225;rio neurol&#243;gicamente &#233; prejudicado pela medica&#231;&#227;o errada. Voc&#234; fica perdido,  n&#227;o acessa,  n&#227;o sente, e isso cria entraves ao processamento, que se torna mais dispendioso  do ponto de vista neurol&#243;gico. Especialmente quando falamos de um inconsciente hiperativo e persistente como o meu. </p><p>A ecolalia musical se tornou o meu sinal de alerta. A m&#250;sica evoca um sentimento que n&#227;o me habita mais  ( ou ainda) e ainda  assim eu quero ouvi-la incessantemente.   &#201; como se eu pudesse apenas mudar o r&#225;dio de esta&#231;&#227;o depois de entender por que estou  ouvindo essa can&#231;&#227;o h&#225; dois meses, em doses espa&#231;adas durante o dia. Duarante um desses hiperfocos musicais descobri que a medica&#231;&#227;o estava me impedindo de processar o b&#225;sico para minha subsist&#234;ncia psiquica.</p><p>Na ocasi&#227;o, essa m&#233;dica, que eu chamo de assinante de receitas, reagiu com extrema viol&#234;ncia quando pedi a revis&#227;o sugerida pela minha psic&#243;loga do Centro Eliane de Grammont. Ela n&#227;o queria me conhecer, n&#227;o queria saber dos meus sentimentos. Tinha &#243;dio nos olhos enquanto assinava a minha receita ap&#243;s as compara&#231;&#245;es pejorativas e desumanas que fez. Tudo isso me levou a n&#227;o procurar ajuda m&#233;dica aqui em Belo Horizonte. Quando tentei, n&#227;o consegui. O sistema aqui &#233; mais prec&#225;rio que em S&#227;o Paulo; l&#225;, quando me deparava com essa desumanidade, ainda havia um movimento para resolver. Aqui eu desanimei e me isolei em um casulo protetivo.</p><p></p>
      <p>
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Arte do Fingimento: Diálogos com Vinicius de Moraes e Augusto dos Anjos no "Soneto de Infidelidade"]]></title><description><![CDATA[Um ensaio &#237;ntimo sobre o processo criativo do "Soneto de infidelidade", o amor limerente e a poesia como blindagem de sobreviv&#234;ncia. Leia os poemas.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/a-arte-do-fingimento-dialogos-com</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/a-arte-do-fingimento-dialogos-com</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Tue, 09 Jun 2026 10:04:04 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qQUX!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8c4e7f20-e513-4e65-9449-a8024f7cb10e_2800x5000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8c4e7f20-e513-4e65-9449-a8024f7cb10e_2800x5000.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;O monumento da sobreviv&#234;ncia: soneto de infidelidade&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;Fotografia conceitual em estilo claro-escuro de uma est&#225;tua cl&#225;ssica de m&#225;rmore branco no centro de uma monumental catedral g&#243;tica. Um feixe de luz azulada e dram&#225;tica desce verticalmente de um alto vitral iluminando a escultura na penumbra. Est&#233;tica po&#233;tica e melanc&#243;lica. Assinatura Oryanna Borges no canto inferior.&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8c4e7f20-e513-4e65-9449-a8024f7cb10e_2800x5000.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Conhecer \&quot;Abyssalia\&quot; na Editora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Conhecer "Abyssalia" na Editora</span></a></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Soneto de infidelidade</strong>

A voc&#234;, por toda a minha lealdade,
estes beijos ardentes, mas fingidos,
este desejo que teme ser saciado
e minha triste e necess&#225;ria falsidade.

A voc&#234;, todos os carinhos delicados,
que cessam num amargo suspiro.
E este olhar embevecido, derramado,
e recolhido, por ser de amor, e puro.

E o que quase tenho e quase deixo.
E o prazer que n&#227;o me sacia e lamento.
E a alegria que n&#227;o conhe&#231;o, mas exijo.

E como prova de amor e fidelidade,
a minha ex&#237;mia arte do fingimento
executada sob atordoante saudade.</pre></div><h3>A arte do fingimento: di&#225;logos com Vinicius e as linhas de sobreviv&#234;ncia</h3><p>H&#225; textos que nos habitam antes mesmo que possamos compreender a extens&#227;o de suas fraturas. O <em>Soneto de Fidelidade</em>, de Vinicius de Moraes, foi um dos primeiros portos da minha mem&#243;ria afetiva. Aquela promessa de um amor pleno, vivido &#8220;em cada v&#227;o momento&#8221;, que se espalha em louvor, em riso e em pranto, sempre me pareceu um monumento luminoso. Uma catedral erguida sobre a certeza de que o afeto pode &#8212; e deve &#8212; ocupar todo o espa&#231;o vis&#237;vel do mundo.</p><p>Mas na vida real vivemos os amores poss&#237;veis. E , apesar de amar Vinicius, meu cora&#231;&#227;o sempre foi propenso &#224; verve sombria de Augusto dos Anjos. Ent&#227;o, se eu podia erigir monumentos luminosos e uma catedral de certeza e devo&#231;&#227;o absoluta, eu tamb&#233;m vivia o &#8220;desespero dos iconoclastas&#8221;. E para sobreviver: &#8220;Entrei um dia nessas catedrais [...] Quebrei a Imagem dos meus pr&#243;prios sonhos!&#8221;</p><p>Na verdade foram muitos dias. Volta e meia precisava entrar nesse espa&#231;o sagrado e vandaliz&#225;-lo com a descren&#231;a, destro&#231;&#225;-lo com os argumentos mais severos da raz&#227;o.</p><p>Meu &#8220;Soneto de infidelidade&#8221; chama-se originalmente &#8220;Fidelidade&#8221; e era, na minha vis&#227;o, a vers&#227;o sacr&#237;lega do de Vinicius.</p><p>Eu me sentia pecadora. Sem me saber neurodivergente, eu era Eva cuspida e escarrada, no sentido literal da express&#227;o. Mas hoje eu vejo o poema em ambas suas vers&#245;es como minha pr&#243;pria alma, esculpida a Carrara. Ambos monumentos que demarcam esse tempo no qual eu n&#227;o podia ser eu mesma e precisava aprender a circular por um mundo no qual o privil&#233;gio da transpar&#234;ncia nem sempre est&#225; dispon&#237;vel para quem precisa aprender a caminhar sozinha cedo demais.</p><p>Para uma adolescente encarando a crueza dos dias sem redes de prote&#231;&#227;o, a realidade exige estrat&#233;gias de guerra. O relacionamento real, palp&#225;vel, muitas vezes se faz necess&#225;rio n&#227;o como comunh&#227;o, mas como blindagem social, como um teto mundano e uma moeda de sobreviv&#234;ncia ps&#237;quica e f&#237;sica. Enquanto isso, o verdadeiro motor da autocria&#231;&#227;o permanece exilado no subsolo: o amor limerente. Aquele sentimento avassalador por um ser idealizado, secreto, que sustenta a sanidade por dentro enquanto o corpo performa a normalidade por fora.</p><p>&#201; dessa colis&#227;o que nasce o avesso da catedral de Vinicius. Nasce o meu <em>Soneto de infidelidade</em>. Um monumento &#224; minha sobreviv&#234;ncia, erigido dos vandalismos recorrentes e das viol&#234;ncias &#237;ntimas que talvez s&#243; as mulheres entendam.</p><p>A infidelidade aqui n&#227;o &#233; o desvio ordin&#225;rio da carne, mas a cis&#227;o dilacerante do eu. Uma dupla trai&#231;&#227;o silenciosa que se consome na mais absoluta solid&#227;o acompanhada: trair o pacto da realidade por habitar um desejo exilado, e trair a pureza do objeto limerente por dividir os dias com o mundo concreto. Uma solid&#227;o que, por acompanhada no cotidiano, estra&#231;alha a alma por dentro.</p><p>A saudade mais dolorosa n&#227;o &#233; daquilo que se consumou, mas do projeto interrompido, daquilo que se cogitou viver e que n&#227;o ser&#225; mais poss&#237;vel &#8212;, o poema se torna o registro desse purgat&#243;rio afetivo.</p><h3>O cinzel do tempo: do caderno ao livro</h3><p>Escrever &#233; tamb&#233;m o exerc&#237;cio de aprender a editar a pr&#243;pria dor. Na matriz deste soneto, registrada nos cadernos de <em>Retrato das Sombras</em>, as linhas eram longas, expressionistas, quase sem f&#244;lego. Havia um transbordo m&#237;stico, uma &#8220;Alma inflamada por preces&#8221; e &#8220;toques s&#244;fregos&#8221; que tentavam gritar a imensid&#227;o daquela injusti&#231;a existencial. Era o registro bruto do impacto.</p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Soneto de infidelidade (Vers&#227;o Matriz de "Retrato das Sombras" )
</strong>

A voc&#234; com toda a minha lealdade
estes beijos ardentes, mas fingidos.
Este desejo que teme ser saciado
Minha triste e necess&#225;ria falsidade.

A voc&#234; os toques s&#244;fregos, doces
que terminam num amargo suspiro.
Este olhar carregado de amor puro
fluindo da Alma inflamada por preces.

E a felicidade que quase tenho e quase deixo
e o prazer que sinto transfigurado de lamento.
A alegria que de fato n&#227;o conhe&#231;o, mas exijo.

E como prova de amor e fidelidade
a minha ex&#237;mia arte do fingimento.
executada com atordoante saudade</pre></div><p>Anos mais tarde, ao depurar o poema para a estrutura definitiva que hoje habita o livro <em><a href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia">Abyssalia</a></em>, compreendi que a grande literatura opera por represamento, n&#227;o por transbordo.</p><p>O ritmo foi contido, os excessos adjetivos foram recolhidos e a imag&#233;tica sacra deu lugar &#224; precis&#227;o cir&#250;rgica do corte. Os carinhos s&#244;fregos tornaram-se &#8220;delicados&#8221; para acentuar a ironia da encena&#231;&#227;o; o olhar carregado passou a ser &#8220;recolhido&#8221;, guardado para dentro para preservar sua pureza. Ao encurtar os versos longos do primeiro terceto e dar ao soneto o rigor da sua forma, a dor n&#227;o diminuiu &#8212; ela ganhou a dignidade do sil&#234;ncio. A estrutura cl&#225;ssica tornou-se a pr&#243;pria blindagem que tenta conter o abismo.</p><p>Abaixo deixo os poemas de Vinicius e o de Augusto, meus mestres:</p><p></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Soneto de Fidelidade
</strong>
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.  

Quero viv&#234;-lo em cada v&#227;o momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.  

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, ang&#250;stia de quem vive
Quem sabe a solid&#227;o, fim de quem ama  

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que n&#227;o seja imortal, posto que &#233; chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes, Estoril, outubro de 1939</pre></div><p></p><p></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Vandalismo
</strong>
Meu cora&#231;&#227;o tem catedrais imensas,
Templos de priscas e long&#237;nquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das cren&#231;as.

Na ogiva f&#250;lgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradia&#231;&#245;es intensas,
Cintila&#231;&#245;es de l&#226;mpadas suspensas,
E as ametistas e os flor&#245;es e as pratas.

Como os velhos Templ&#225;rios medievais,
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos...

E erguendo os gl&#225;dios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a Imagem dos meus pr&#243;prios sonhos!



Augusto dos Anjos- Pau d'Arco, 1904
Publicado no livro Eu (1912)

</pre></div><p></p><h3><strong>Gostou deste ensaio?</strong></h3><p>O texto que voc&#234; acabou de ler &#233; um post aberto, fruto das minhas pesquisas independentes sobre narrativa, neuroci&#234;ncia e os bastidores dos meus livros. Toda ter&#231;a-feira, compartilho por aqui essas investiga&#231;&#245;es sobre as linhas de sobreviv&#234;ncia que costuram a nossa escrita e a nossa mente.</p><p>Se voc&#234; quer acompanhar esse processo de perto, apoiar a literatura independente e receber os pr&#243;ximos ensaios direto na sua caixa de entrada, convido voc&#234; a se inscrever:</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p>A assinatura gratuita garante o recebimento dos posts semanais. 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Convido voc&#234; a cruzar o limiar deste ensaio e conhecer o trabalho de um heter&#244;nimo; um projeto visual onde os roteiros e as ideias ganham uma nova dimens&#227;o.</p><p>Um convite para quem deseja ver o que corre em paralelo:</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@GreyborManifesta&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Espiar o outro lado&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@GreyborManifesta"><span>Espiar o outro lado</span></a></p><h3><strong>Apoie o trabalho da autora</strong></h3><p>Se este ensaio e a engenharia por tr&#225;s do poema ressoaram em voc&#234;, considere apoiar a literatura independente adquirindo um exemplar de <em><strong>Abyssalia</strong></em>. O livro re&#250;ne esta e outras cartografias da nossa sobreviv&#234;ncia &#237;ntima, editadas e impressas com o cuidado que a poesia exige.</p><p>Voc&#234; pode garantir o seu exemplar diretamente no site da editora clicando abaixo:</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Conhecer \&quot;Abyssalia\&quot;na Editora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Conhecer "Abyssalia"na Editora</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Anatomia Alquímica do Sal: Entre a Ilusão Limerente e a Geometria do Saber ]]></title><description><![CDATA[Uma investiga&#231;&#227;o autoetnogr&#225;fica sobre o custo cognitivo e a cristaliza&#231;&#227;o do saber na mente autista.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/a-anatomia-alquimica-do-sal-entre</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/a-anatomia-alquimica-do-sal-entre</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Sun, 07 Jun 2026 23:01:09 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J04K!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F470c347a-fa61-4f10-b359-c2ed5227e928_1199x1599.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/470c347a-fa61-4f10-b359-c2ed5227e928_1199x1599.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Pense numa pessoa cansada! &quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/470c347a-fa61-4f10-b359-c2ed5227e928_1199x1599.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><p></p><h1 style="text-align: justify;"><strong>Da calcina&#231;&#227;o das Apar&#234;ncias </strong></h1><p style="text-align: justify;">Este ensaio prop&#245;e um itiner&#225;rio cr&#237;tico e autoetnogr&#225;fico que investiga os limiares entre o colapso afetivo e a funda&#231;&#227;o da soberania mental. A partir de uma perspectiva po&#233;tico-liter&#225;ria e neurodivergente, analisamos a a&#231;&#227;o do fogo alqu&#237;mico de calcina&#231;&#227;o materializado nos poemas <em>Engano</em> e <em>Veredicto</em>, identificando o severo custo cognitivo desse processo como o motor de uma aut&#234;ntica autocria&#231;&#227;o. A partir da queima das apar&#234;ncias, o texto examina como a dissolu&#231;&#227;o das ilus&#245;es abre espa&#231;o para a cristaliza&#231;&#227;o alqu&#237;mica &#8212; um princ&#237;pio de estabilidade e fixa&#231;&#227;o da experi&#234;ncia que dialoga, por via do contraste, com o conceito de cristaliza&#231;&#227;o formulado por Dorothy Tennov para explicar as idealiza&#231;&#245;es do amor limerente. Por fim, estabelece-se a import&#226;ncia crucial dessa analogia para a mente neurodivergente, demonstrando como a recusa ao brilho ef&#234;mero das proje&#231;&#245;es externas permite a transforma&#231;&#227;o do sofrimento bruto em uma geometria insol&#250;vel do saber, garantindo ancoragem ps&#237;quica e uma navegabilidade social mais est&#225;vel no mundo real.</p><p style="text-align: justify;"></p>
      <p>
          <a href="https://www.oryannaborges.com/p/a-anatomia-alquimica-do-sal-entre">
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          </a>
      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Veredicto do Fogo: Da Incubação ao Tribunal da Fantasia.]]></title><description><![CDATA[Uma an&#225;lise sobre a transmuta&#231;&#227;o do afeto e a investidura da fantasia atrav&#233;s da psicologia alqu&#237;mica de James Hillman.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/o-veredicto-do-fogo-da-incubacao</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/o-veredicto-do-fogo-da-incubacao</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Thu, 04 Jun 2026 10:02:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xJ7Y!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Faf96f8da-ff9f-48b9-8bc8-c61f5fa83aad_5000x2800.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/af96f8da-ff9f-48b9-8bc8-c61f5fa83aad_5000x2800.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;O Veredicto do Fogo&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;Obra de arte conceitual de Oryanna Borges para o livro Abyssalia. Uma mulher de porcelana azul com Kintsugi dourado sustenta um n&#250;cleo de luz em uma sider&#250;rgica, com um tsunami ao fundo&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/af96f8da-ff9f-48b9-8bc8-c61f5fa83aad_5000x2800.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"></pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Veredicto
</strong>
Tua presen&#231;a n&#227;o proporciona inspira&#231;&#227;o.
 Apenas doce agonia e noites de ins&#244;nia, 
estupor de d&#250;vida e certeza err&#244;nea, 
medo expansivo e alma febril em retra&#231;&#227;o.

Sequer despertas a verdadeira paix&#227;o. 
S&#243; incitas a voracidade dos sentidos, 
suscitas desejos antes n&#227;o consentidos, 
inventas uns impulsos que calco ao n&#227;o.

Nenhuma inst&#226;ncia do meu conhecimento 
Acompanha-te, elege-te ou te reverencia. 
&#201;s hausto de desejo que ao passar inebria.

E tua const&#226;ncia nas abas do pensamento 
n&#227;o configura oferenda ou alus&#227;o &#224; poesia. 
&#201;s comburente nas labaredas da fantasia.
</pre></div><p></p><h3><strong>Do Retrato &#224; Abyssalia: O Resgate do Veredito</strong></h3><p>Embora este poema componha originalmente a obra <em>Retrato das Sombras</em> e tenha permanecido resguardado sob a penumbra da minha adolesc&#234;ncia por d&#233;cadas, ele sempre se imp&#244;s &#224; minha consci&#234;ncia como uma pe&#231;a de rigor ineg&#225;vel. Sempre tive a clareza de que se tratava de uma cria&#231;&#227;o que desafiava a imaturidade da &#233;poca com a sua precis&#227;o t&#233;cnica e tem&#225;tica. Por isso, ao realizar a curadoria para o meu primeiro livro, <strong><a href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia">Abyssalia</a></strong>, n&#227;o houve hesita&#231;&#227;o: &#8220;Veredicto&#8221; emergiu das sombras para ocupar seu lugar de direito como um mais densos momentos da obra. Ele &#233; o testemunho de uma ci&#234;ncia intuitiva que j&#225; operava na minha juventude e que agora, finalmente, entra em pleno exerc&#237;cio.</p><p></p><p></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3dc8082c-e2e6-4310-9343-b0e9a5626445_899x1599.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Foto de meu amigos Alexandre de Paula, quando foi no MON buscar o seu.  &quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3dc8082c-e2e6-4310-9343-b0e9a5626445_899x1599.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><h3><strong>O Regime do Fogo: Do Chocar &#224; Calcina&#231;&#227;o</strong></h3><p>&#8220;Veredicto&#8221; &#233;, obviamente, uma senten&#231;a. E esta &#233; propalada pelo fogo &#8212; o juiz m&#225;ximo da alquimia que faz James Hillman, em sua <em>Psicologia Alqu&#237;mica</em>, recorrer a Her&#225;clito para sua investidura. O fogo &#233; o juiz supremo que tudo aproxima, julga e condena. Ao revisitar este soneto, percebo que ele n&#227;o &#233; apenas um desabafo; &#233; um protocolo de opera&#231;&#227;o t&#233;rmica onde a minha cogni&#231;&#227;o operacionaliza a desconstru&#231;&#227;o do objeto de afeto atrav&#233;s de quatro est&#225;gios de calor descritos na alquimia.</p><h4><strong>A Incuba&#231;&#227;o e as Cinzas (Versos 1 a 4)</strong></h4><p>O primeiro quarteto condensa os dois est&#225;gios iniciais do fogo alqu&#237;mico. O &#8220;medo expansivo e alma febril em retra&#231;&#227;o&#8221; &#233; o que Hillman chama de calor metab&#243;lico ou o est&#225;gio da <em>&#8220;galinha chocando&#8221;</em>: uma tepidez interna onde o problema &#233; incubado no sil&#234;ncio do organismo.</p><p>Logo em seguida, a &#8220;doce agonia&#8221; e o &#8220;estupor de d&#250;vida&#8221; revelam o &#8220;&#8220;<em>Calor das Cinzas.</em> &#201; uma temperatura asfixiante, seca, onde n&#227;o h&#225; &#8220;ar&#8221; (inspira&#231;&#227;o). O objeto n&#227;o me faz criar; ele apenas consome o oxig&#234;nio da minha mente em uma ins&#244;nia est&#225;tica.</p><p></p><h4><strong>O Ferro de Marte (Versos 5 a 8)</strong></h4><p>No segundo quarteto, a voltagem sobe para o terceiro grau: a <em>Areia Fervente</em>. Este &#233; o fogo que queima a m&#227;o e exige uma determina&#231;&#227;o do art&#237;fice. O alquimista, como um artista ou art&#237;fice, precisa manusear esse est&#225;gio com cuidado.</p><p>A &#8220;voracidade dos sentidos&#8221; e os &#8220;impulsos que calco ao n&#227;o&#8221; descrevem o estresse do meu organismo em esfor&#231;o descomunal para conter um desejo que amea&#231;a derreter a estrutura interna. &#201; o trabalho bra&#231;al da consci&#234;ncia, transmutada em um Hefesto menor, tentando dominar o calor. Nesse est&#225;gio da analogia, n&#227;o pude me esquivar da lembran&#231;a do sonho que deu origem a tr&#234;s poemas de <a href="https://www.oryannaborges.com/s/persefone-em-hades">Pers&#233;fone EM Hades</a> : <em><a href="https://www.oryannaborges.com/p/a-flecha-do-despertar-o-poema-a-boa">A Boa Morte</a></em>, <em><a href="https://www.oryannaborges.com/p/macaria-a-despedida-do-carretel-de">Meu Carretel de Sonhos </a>e <a href="https://www.oryannaborges.com/p/macaria">Mac&#225;ria.</a></em></p><p></p><h3><strong>O Protocolo do Fogo e da Ru&#237;na: Uma Narrativa On&#237;rica</strong></h3><p>Eu estava em um lugar alto, embora &#224; minha volta o que parecia ser o Largo da Ordem de Curitiba estivesse transmutado em uma &#8220;Cidade Branca&#8221;, totalmente caiada. De repente, o contraste absoluto: uma mulher surge vestida com a armadura negra de uma princesa guerreira no estilo Xena, com o rosto oculto por um capacete impenetr&#225;vel. Ela n&#227;o carregava uma espada, mas um arco, e come&#231;ou a disparar flechas para todos os lados.</p><p>Buscando um ponto de fuga, olhei para o horizonte. Onde a Rua S&#227;o Francisco culminaria na Avenida C&#226;ndido de Abreu, o asfalto havia sido devorado por uma dist&#226;ncia imensur&#225;vel que me dava a certeza de estar no alto. Muito abaixo da minha plan&#237;cie, que parecia se encerrar no ar, havia uma praia. Na linha dos meus olhos vinha uma onda gigante, que assisti a varrer a praia e elevar aos ares as casas brancas que nem enxergava do meu despenhadeiro.</p><p>O Tsunami &#8212; a <em>Solutio</em> em sua escala mais devastadora &#8212; avan&#231;ava levantando as casas brancas de dois andares, virando-as do avesso no meio da massa de &#225;gua. Era a ru&#237;na da estrutura dom&#233;stica, o fim da &#8220;casa&#8221; que n&#227;o podia mais conter a vida. Eu via as pessoas tombarem ao meu redor e, em vez de p&#226;nico, uma clareza terr&#237;vel me atingiu: eu entendi que aquilo era a <strong>&#8220;boa morte&#8221;</strong>. Ela as matava rapidamente para que n&#227;o sofressem o que estava por vir.</p><p>Fugi da inunda&#231;&#227;o e da arqueira, aparentemente nas asas do medo, pois, s&#250;bito, o cen&#225;rio branco e iluminado deu lugar a uma est&#233;tica de poeira e encardido, o mundo p&#243;s-apocal&#237;ptico das cinzas. Eu seguia os trilhos de um trem acompanhada por um grupo de sobreviventes. Em meus bra&#231;os, havia um beb&#234;; ele era meu, mas compartilhado. Em um lampejo de lucidez, lembrei-me da s&#233;rie <em>The Walking Dead</em>, mas a hist&#243;ria do sonho me puxou de volta: precis&#225;vamos chegar ao lugar seguro.</p><p>Chegamos a uma porta monumental de ferro. Por dentro, era uma Sider&#250;rgica, um recept&#225;culo de poder e seguran&#231;a mineral. L&#225; dentro, um homem de fisionomia s&#233;ria e decidida cuidava das fornalhas acesas no fogo de fundi&#231;&#227;o. Eu entreguei o beb&#234; a ele com um pesar imenso, mas uma certeza absoluta: ali, naquela estrutura de ferro, ele estaria seguro.</p><p>Ao acordar, a senten&#231;a estava dada: a vida como eu conhecia havia ru&#237;do, mas o essencial estava salvo no fogo. O que eu entregava a esta figura era meu sonho de maternidade. O sonho selou o fim do meu casamento, que inclu&#237;a casinhas brancas e paisagens id&#237;licas, mas que precisava ruir para que eu sobrevivesse. Assim que abri meus olhos, na dor profunda daquela entrega, disse em voz alta: <strong>&#8220;As coisas que precisamos matar dentro da gente para continuar sobrevivendo&#8221;</strong>. <strong>Mac&#225;ria &#233;, de certo modo, a encarna&#231;&#227;o po&#233;tica daquele beb&#234;.</strong></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7dbd2421-1d7d-428c-9678-836c694f3e3d_1024x1024.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7dbd2421-1d7d-428c-9678-836c694f3e3d_1024x1024.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><h3><strong>A Senten&#231;a e a Chama Viva (Tercetos Finais)</strong></h3><p>Voltando a &#8220;Veredicto&#8221;, no terceto final  o processo atinge a <em>Calcina&#231;&#227;o</em>. Aqui, o fogo deixa de ser algo que eu sofro e passa a ser a ferramenta com a qual eu julgo. E a este fogo eu dei o nome de fantasia.</p><p>A auditoria &#233; implac&#225;vel: &#8220;Nenhuma inst&#226;ncia do meu conhecimento / Acompanha-te, elege-te ou te reverencia&#8221;. O objeto &#233; despido de sua falsa transcend&#234;ncia. Ele n&#227;o &#233; &#8220;oferenda&#8221;, n&#227;o &#233; &#8220;poesia&#8221;, n&#227;o &#233; o ouro. Ele &#233; apenas o comburente &#8212; o material inflam&#225;vel necess&#225;rio para alimentar as labaredas da minha pr&#243;pria transforma&#231;&#227;o.</p><p></p><h4><strong>A Fantasia como Laborat&#243;rio de Decis&#227;o</strong></h4><p>Muitos acreditam que a fantasia &#233; um ref&#250;gio para quem n&#227;o sabe lidar com a realidade. Para mim, ela &#233; o lugar onde a realidade &#233; acelerada. Enquanto o mundo social processa desencontros lentamente, eu os submeto &#224; fornalha da minha imagina&#231;&#227;o para extrair, em dias, o veredito que outros levariam anos para compreender &#8212; er&#8230; ou que neurot&#237;picos levariam segundos, sejamos honestos.</p><p>O diagn&#243;stico de <strong>&#8220;Veredicto&#8221;</strong> &#233; soberano: o objeto de afeto, simulacro de amor limerente no mundo real, n&#227;o passou no teste do fogo. Ele foi reduzido a cinzas para que restasse apenas o meu saber essencial. O engano gerou a d&#250;vida;  a d&#250;vida abriu a porta da fornalha; o engano foi desfeito.</p><p></p><h3>Mantenha o Fogo Aceso </h3><p>Este espa&#231;o n&#227;o &#233; apenas um blog; &#233; um <strong>laborat&#243;rio de ci&#234;ncia intuitiva</strong> onde a poesia, a neurodiverg&#234;ncia e a alquimia se encontram para processar o que h&#225; de mais denso na experi&#234;ncia humana.</p><p>Se a anatomia deste <strong>Veredicto</strong> ressoou em sua pr&#243;pria fornalha, convido voc&#234; a fazer parte desta bancada:</p><ul><li><p><strong>Acesso Gratuito:</strong> Inscreva-se para receber as pr&#243;ximas escava&#231;&#245;es de <em>Abyssalia</em> e meus ensaios sobre a soberania da mente e o processo criativo diretamente em seu e-mail.</p></li></ul><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p><ul><li><p><strong>Assinatura Paga:</strong> Ao escolher o apoio financeiro, voc&#234; se torna um mantenedor da nossa <strong>&#8220;Sider&#250;rgica&#8221;</strong>. Sua contribui&#231;&#227;o &#233; o que garante o oxig&#234;nio para a minha pesquisa independente e financia a produ&#231;&#227;o de obras que, como este poema, buscam extrair o ouro das sombras</p></li></ul><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/subscribe?"><span>Assine agora</span></a></p><p></p><h3><strong>Leve Abyssalia para sua Estante</strong></h3><p>Al&#233;m de apoiar este laborat&#243;rio digital, voc&#234; tamb&#233;m pode mergulhar na materialidade da minha pesquisa. <strong>Abyssalia</strong> &#233; o meu primeiro livro de poemas, publicado no in&#237;cio de 2026. Ele re&#250;ne o resultado de anos de escava&#231;&#227;o po&#233;tica e an&#225;lise simb&#243;lica, sendo a morada definitiva de obras como <strong>&#8220;Veredicto&#8221;</strong>, que resgatei das sombras da minha juventude para compor esta cartografia abissal.</p><p>Adquirir o livro &#233; uma forma direta de sustentar minha produ&#231;&#227;o como artista multidisciplinar e pesquisadora independente, garantindo que o fogo desta sider&#250;rgica criativa permane&#231;a aceso.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.donizela.com/product-page/abyssalia&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Adquira o livro Abyssalia Aqui&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.donizela.com/product-page/abyssalia"><span>Adquira o livro Abyssalia Aqui</span></a></p><p></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Poema "Engano", Novamente]]></title><description><![CDATA[Para resetar nosso organograma de postagens e dialogar com o que vem a seguir]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/o-poema-engano-novamente</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/o-poema-engano-novamente</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Tue, 02 Jun 2026 10:02:44 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!BiPG!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9319ec75-91a7-45c6-9708-cf1d290ae9e9_5600x10000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9319ec75-91a7-45c6-9708-cf1d290ae9e9_5600x10000.png&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9319ec75-91a7-45c6-9708-cf1d290ae9e9_5600x10000.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><p></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>Engano </strong>

&#192;  boca o paladar prende teu gosto
O  calor do teu contato dan&#231;a na pele
N&#227;o h&#225; &#225;gua que lave tuas marcas 
Ou fogo que ensinei teus vest&#237;gios 
Da eteridade de minha alma 

A  eternidade que te dei em pensamentos 
Talvez tenha feito indel&#233;vel, teus instantes
E errado a dimens&#227;o dos teus fragmentos</pre></div><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/p/a-arquitetura-mineral-do-encontro&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Leia o Texto complementar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/p/a-arquitetura-mineral-do-encontro"><span>Leia o Texto complementar</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/p/um-manifesto-de-alquimia-pratica&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Entenda as mudan&#231;as&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.oryannaborges.com/p/um-manifesto-de-alquimia-pratica"><span>Entenda as mudan&#231;as</span></a></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. 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Vem ver.]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/um-manifesto-de-alquimia-pratica</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/um-manifesto-de-alquimia-pratica</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Sun, 31 May 2026 23:01:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!s4mi!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F44503f51-4e8b-4aea-aadb-33b97fb8ff57_256x256.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="native-video-embed" data-component-name="VideoPlaceholder" data-attrs="{&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;da75ba47-24d6-4df9-afc7-83b21439862c&quot;,&quot;duration&quot;:null}"></div><p></p><h3><strong>A Cozinha Como Cora&#231;&#227;o Alqu&#237;mico</strong></h3><p>A confeitaria tem essa precis&#227;o de modo que uma confeiteira afoita n&#227;o produz o mesmo resultado das m&#227;os dedicadas e do fazer com presen&#231;a. E depois de dias de muito trabalho f&#237;sico, mental e emocional para cumprir prop&#243;sitos criativos, a precis&#227;o de um bolo foi a forma de gradualmente trazer meu corpo de volta para uma zona de conforto bioqu&#237;mico. Um ritual que, depois de quase dois meses sem sair de casa, s&#243; foi poss&#238;vel quando me arrisquei a comprar laranjas online. </p><p>A receita do meu bolo de chocolate foi desenvolvida ao longo de anos at&#233; alcan&#231;ar aquele sabor particular e confortante. As tentativas de reproduzi-lo sem as raspas de laranja resultaram em um bolo palat&#225;vel, mas que n&#227;o alimentava a alma. Por isso adiei o preparo at&#233; ter todos os ingredientes e a necessidade de recalibra&#231;&#227;o interna maior do que o cansa&#231;o.</p><p>E enquanto massageava as raspas de laranja no a&#231;&#250;car para absorver os &#243;leos essenciais, senti meu corpo relaxar completamente, imerso nesse gesto simples. E reverentemente misturei a manteiga em ponto de pomada, e algumas colheres de azeite de oliva,  para incorporar de vez o perfume &#224; receita. Minha mente relaxada, como de costume,  arborecia. Desta vez  sobre a import&#226;ncia do processo enquanto as m&#227;os lentamente homogeneizavam a massa, dourada pela adi&#231;&#227;o de ovos. Foi um processo lindo de composi&#231;&#227;o cuidadosa, alternando os ingredientes secos e o caf&#233; rec&#233;m coado aos poucos, para o calor aprofundar a cor do chocolate e n&#227;o desestruturar a massa.  </p><p></p><h3><strong>O Territ&#243;rio de Luta: Hardware vs. Software</strong></h3><p>Por um momento, na imers&#227;o deste processo, a exaust&#227;o do meu corpo pareceu ceder completamente. E enquanto o bolo assava, limpei a geladeira e me mantive na cozinha, vigilante. Infelizmente, depois desse pensamento arborescente balan&#231;ar suavemente &#224; brisa da ritualistica culin&#225;ria por cerca de uma hora,  o bem-estar moment&#226;neo deu lugar &#224; certeza do limite atingido: a enxaqueca.</p><p>Esta &#233; a rotina de uma pessoa que n&#227;o parece autista. O corpo &#233; um territ&#243;rio de luta. O corpo &#233; um <em>hardware</em> obsoleto tentando rodar um <em>software</em> de alta tecnologia. Essa tecnologia, esse <em>software</em>, se atualiza constantemente, mas o <em>hardware</em> continua o mesmo, com o agravante do desgaste natural do tempo. A exaust&#227;o que n&#227;o me deixa, no momento que refino este texto &#8212; um dia depois de t&#234;-lo gravado em &#225;udio e transcrito enquanto a medica&#231;&#227;o da enxaqueca fazia efeito, para n&#227;o esquecer &#8212; est&#225; se tornando uma nova enxaqueca. O dia ser&#225; truncado pelos limites f&#237;sicos; a fatura dos limites que extrapolei. (E tenho este texto e dois roteiros para finalizar hoje, al&#233;m de uma faxina para concluir).</p><h3><strong>O Hiperfoco e o Paradoxo da Dignidade</strong></h3><p>E apesar de ter extrapolado os limites durante a semana, n&#227;o dei conta dos dois projetos criativos que assumi: o novo e esta j&#225; infante <em>newsletter</em>. Mesmo com os textos organizados, n&#227;o consegui finalizar a an&#225;lise do segundo poema da semana e escrever a cr&#244;nica que amarrava os dois &#8212; Nega&#231;&#227;o e Veredicto&#8212;  lindamente. A cr&#244;nica requeria, al&#233;m do tempo para a escrita  escrita, a releitura de tr&#234;s cap&#237;tulos de dois livros diferentes. N&#227;o foi poss&#237;vel. Lidei com a culpa como pude, provavelmente como um peso extra na sobrecarga de ser presa de um hiperfoco. Criativo, mas ainda assim um hiperfoco, uma consumi&#231;&#227;o.</p><p>Meu novo projeto criativo come&#231;ou h&#225; duas semanas. De forma muito intuitiva. E tem flu&#237;do naturalmente, como tudo o que se relaciona com escrita e criatividade para mim. Pois &#233;, voc&#234; est&#225; lendo um texto de uma pessoa autista e medicada, n&#227;o espere falsa mod&#233;stia e meias palavras. Mas, embora algumas caracter&#237;sticas da neurodiverg&#234;ncia sejam tratadas como superpoder, nossa biologia n&#227;o foi planejada nos quadrinhos. E eu preciso falar do desespero de ser fisgada por um processo criativo: eu fui arrebatada pela beleza das imagens que criei acidentalmente para o projeto e me embrenhei na empreitada de fazer um v&#237;deo animado, minimamente coerente, usando IA, de 22 minutos, em apenas dois ou tr&#234;s dias. E claro, houve todo um fluxo de trabalho ainda em fase de ajustes, que foi comprometido por outras decis&#245;es que tomei. Sem poder retroceder, lidei com a lerdeza de um software sobrecarregado como eu e a minha pr&#243;pria pressa, pautada pelos prazos. Abri m&#227;o de cumprir alguns, n&#227;o como escolha, mas como imposi&#231;&#227;o de uma coer&#231;&#227;o neurol&#243;gica que me prende no objetivo.</p><p>A luta que travo hoje com este corpo combalido se estendeu pela semana, entre enxaquecas incpacitantes e expedientes noite afora.  O balan&#231;o final escancarou  um paradoxo: existe uma disparidade muito grande entre a minha capacidade intelectual e a minha capacidade financeira; entre a minha condi&#231;&#227;o de sobreviv&#234;ncia e a minha capacidade de produzir conhecimento &#8212; ou entretenimento, alimento para a alma. A poesia, que traz o simb&#243;lico e a autocria&#231;&#227;o, n&#227;o tem resultado em uma vida digna. Deixarei de fazer isso? &#211;bvio que n&#227;o. Como eu existiria sem ser Oryanna Borges, a poeta? Mas sinto que preciso abrir mais esse fosso entre a pessoa que eu aparento e a pessoa que vivencio aqui dentro, para voc&#234; leitor.  </p><h3><strong>Greybor Manifesto: Da Imagina&#231;&#227;o &#224; Materialidade</strong></h3><p>Cansei de tentar caber no mundo. Se ele n&#227;o foi feito para mim, vou criar um que seja &#8212; na materialidade, n&#227;o apenas nos rec&#244;nditos da imagina&#231;&#227;o. Meu corpo precisa de abrigo, conforto, medica&#231;&#227;o, solitude e as condi&#231;&#245;es de pagar o pre&#231;o alto dos <em>deliverys</em> de hortifruti, quando eu precisar ficar dois meses em casa, reservando energia para o meu laborat&#243;rio criativo. Tudo o que me importa est&#225; aqui: dar sentido, significado, vida e materialidade &#224;s minhas hist&#243;rias.</p><p>Por isso,  in&#237;ciei o projeto  <em><a href="https://www.youtube.com/@GreyborManifesta">Greybor Manifesta</a></em><a href="https://www.youtube.com/@GreyborManifesta">.</a> A principio como um projeto &#8220;dark&#8221;, an&#244;nimo na escurid&#227;o da Web, mas intentando ser um farol para aqueles que como est&#227;o &#224; deriva. Antes de ser Greybor Manifesta, era apenas um exerc&#237;cio privado de reprograma&#231;&#227;o mental. Mas eu gosto dos processos e compartilhar minha jornada pareceu uma caminho natural.Tanto que at&#233; a anima&#231;&#227;o desta semana, tudo fluia tranquilamente. E mesmo a anima&#231;&#227;o trouxe aprendizados e n&#227;o arrependimentos. </p><p>Greybor manifesta &#233; um canal do Youtube sobre visualiza&#231;&#227;o Criativa. Ok, me julguem&#8230;se voc&#234;s pagam as minhas contas. Se n&#227;o, me sigam l&#225; no youtube e se permitam surpreender por um lado meu que ainda n&#227;o manifestou o ouro nos quilates que o mundo valoriza, mas que com certeza materializou o ouro da consci&#234;ncia. E &#233; este ouro, que ofere&#231;o, moldado e lapidado pela imagina&#231;&#227;o e pela minha cren&#231;a absoluta na autocria&#231;&#227;o. Na minha percep&#231;&#227;o o verbo se faz carne, o verbo se faz realidade. E eu me autocriei, de um rascunho mal suprido neurologicamente, para um software sofisticado . Agora &#233; aprimorar o m&#233;todo para a vida fisica ser t&#227;o fantastica quanto a vivida nas dimens&#245;es m&#225;gicas que a imagina&#231;&#227;o cria.</p><p>Este n&#227;o &#233; um projeto sobre como ser &#8216;produtivo&#8217; em um sistema que nos quer descart&#225;veis; &#233; um laborat&#243;rio de alquimia pr&#225;tica. </p><p>Durante anos, caminhei sem um nome que me ancorasse. Hoje, eu sou Oryanna Borges &#8212; um nome que oficializei para consolidar a literatura como minha forma prim&#225;ria de exist&#234;ncia e resist&#234;ncia. E &#233; nessa assun&#231;&#227;o que surge Ana Greybor. Se Fernando Pessoa podia reclamar para si um universo de heter&#244;nimos, eu reivindico a minha estrat&#233;gia de sobreviv&#234;ncia. Ana Greybor &#233; a minha racionalidade alqu&#237;mica, o meu lado que suspeita da sincronia e investiga os deuses. A persona que manifestei quando percebi que a &#8216;salada mista&#8217; que &#233; o meu c&#233;rebro &#8212; essa rede ca&#243;tica e fascinante de conex&#245;es entre literatura, religi&#227;o, neuroci&#234;ncia e simbolismo &#8212; n&#227;o precisava ser apenas um ref&#250;gio secreto, mas um sistema de aplica&#231;&#227;o pr&#225;tica. Ana Greybor &#233; a engenheira que traduz a minha intui&#231;&#227;o po&#233;tica em m&#233;todos de auto-cria&#231;&#227;o. O <em>Greybor Manifesta</em> &#233; a minha recusa final em ser uma fraude ou uma faquir; &#233; o espa&#231;o onde a imagina&#231;&#227;o deixa de ser ref&#250;gio para se tornar estrat&#233;gia de sobreviv&#234;ncia. N&#227;o se preocupe, n&#227;o vou vender curso. S&#243; espero que o adsense do youtube remunere melhor minha escrita do que voc&#234;, leitor. N&#227;o se ofenda. Mas n&#227;o espere desculpas. Acredite, eu valorizo voc&#234; aqui. Mas seria mais f&#225;cil se voc&#234; entendesse que esse &#233; meu trabalho, meu sustento de corpo e alma. Eu deixo voc&#234; navegar na nave assombrosa do templo que &#233; meu corpo, e nem cobro o d&#236;zimo. Mas deveria. Pois nem as igrejas funcionam  sem as oferendas. </p><p>Sou grata por sua vinda e sua aten&#231;&#227;o. Mas eu preciso pagar a conta de luz do templo. Ent&#227;o para vabilizar seu livre tr&#226;nsito e a colabora&#231;&#227;o volunt&#225;ria deste templo Greybor Manifesta vai evocar uma egr&#233;gora ao  canalizar meus saberes   e uma reticente  espiritualidade driblada  com criatividade. </p><p></p><h3>Comunicado sobre o novo fluxo de postagens</h3><p>A partir de agora, para organizar melhor o meu processo criativo e garantir que a leitura de voc&#234;s seja uma experi&#234;ncia imersiva e coerente, estamos mudando o calend&#225;rio do Mistif&#243;rio:</p><p>T<strong>er&#231;as e Quintas (07:00 da manh&#227;): </strong>Publica&#231;&#227;o dos poemas da semana.</p><p><strong>Domingos (20:00):</strong> Publica&#231;&#227;o da cr&#244;nica/artigo anal&#237;tico.</p><p>Por que essa mudan&#231;a? Criativamente, a cr&#244;nica funciona como o ponto de amarra&#231;&#227;o que d&#225; sentido aos poemas publicados durante a semana. Agendar a cr&#244;nica para o domingo &#224; noite permite que voc&#234;s encerrem o ciclo semanal com um texto denso e reflexivo, preparando-se com calma para o que vem pela frente. Para organizar essa transi&#231;&#227;o, nesta semana, farei o seguinte: republicarei o poema &#8220;Engano&#8221; (que saiu com erro na semana passada) na segunda-feira, postarei &#8220;Veredito&#8221; na quinta-feira e, no domingo, entregarei a cr&#244;nica que amarra ambos. Assim, alinhamos o fluxo de trabalho com a profundidade que o projeto exige.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.oryannaborges.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Pague  o d&#237;zimo ou deixe sua oferenda se voc&#234; sentir no seu cora&#231;&#227;o que &#233; a hora. </p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://www.youtube.com/@GreyborManifesta&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Se increva no Greybor Manifesta&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="https://www.youtube.com/@GreyborManifesta"><span>Se increva no Greybor Manifesta</span></a></p><h3 style="text-align: center;">Este &#233; um lugar onde a partilha se multiplica</h3>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Video hoje, titulos e explicações amanhã.]]></title><description><![CDATA[Boa noite!]]></description><link>https://www.oryannaborges.com/p/video-hoje-titulos-e-explicacoes</link><guid isPermaLink="false">https://www.oryannaborges.com/p/video-hoje-titulos-e-explicacoes</guid><dc:creator><![CDATA[Oryanna Borges]]></dc:creator><pubDate>Sat, 30 May 2026 02:55:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/199824447/537068648fab150dc6b4f8dba4f59b91.mp3" length="0" type="audio/mpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>